Há pessoas que vou conhecendo, algumas com profundidade, outras momentaneamente, todavia sempre de forma marcante. Ocorrem-me, tento recordá-las. Tantas são. Algumas, vivas ou desaparecidas, constam de crónicas que escrevi neste Jornal, ou fazem parte da minha obra literária.
É das vivas que escrevo hoje. Quatro. Diferentes.
A opinião de ...
Em linha de conta com as considerações genéricas, feitas na semana passada sobre a melhor maneira de enfrentar o inevitável envelhecimento, hoje volto ao mesmo assunto, com especial incidência e atenção para as últimas décadas da vida dos humanos, a chamada terceira idade, que, normalmente, começa por volta dos sessenta anos de idade.
Em termos genéricos, é nesta década que a quase totalidade das pessoas atingem a idade da reforma, a qual, para não ficarem sem pé do dia para a noite, deve ser atempada e cuidadosamente preparada.
Sem ruído, sem palco, sem reivindicação, sem o verniz useiro de certos clérigos. Assim recordo Aníbal João Folgado (1926-2010), o cónego Aníbal Folgado, nos finais da década de oitenta e nos primeiros anos da década seguinte. Para mim, foi um tempo alegre e feliz, como se tudo fosse intemporal e possível. Quase me convenço de que sou capaz de o descrever com pormenor forense. Digo quase, porque hoje, tenho a certeza de cada vez menos coisas.
A Feira do Livro devolveu a Bragança algo maior do que livros, devolveu-lhe o gesto de afirmar que, neste interior profundo, também se lê, também se escreve, também se pensa, também se resiste. A Feira acendeu luz onde tantas vezes se supõem espessas sombras. Trouxe ficção, história, poesia, ciência, e trouxe, sobretudo, participação. Num país tantas vezes puxado para o litoral, lembrou que o interior não é margem, é centro de vida.
Em pleno mês de maio assistimos, por estes dias, o termómetro a subir para temperaturas próximas dos 40 graus. Uma onda de calor que atravessa toda a Europa e que também chega a Portugal, fazendo lembrar o que aconteceu há apenas dois anos.
Em 2024, o mês de maio também trouxe um calor inusitado para a época primaveril que se vive nesta altura do ano.
Os especialistas alertam que fenómenos como este serão cada vez mais frequentes e cada vez mais duradouros.
Quando o Governo insiste, quiçá espicaçado pela oposição interna, na tentativa de aprovação do já célebre Pacote Laboral, quando não se percebe muito bem com quem o irá fazer, na Assembleia da República, a fazer fé nas declarações dos partidos que o podem viabilizar, a inefável Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho veio esclarecer que a culpa da falta de entendimento em sede da Concertação Social era… do Presidente da República.
Frei Bento Domingues utilizou, na sua crónica dominical de 17 de Maio (jornal Público), o título “As preocupações de Leão XIV”. Coloca o Papa algumas questões atuais e perturbadoras: «De onde vimos? Onde estamos como cristãos?» E recorda uma figura histórica-religiosa-espiritual, exemplo para crentes e não crentes. Todos aceitamos Francisco de Assis como exemplo de humanidade e de humildade.
Sempre que alguém perguntava ao professor Adriano Moreira, uma das mais brilhantes figuras públicas da história recente do nosso país, quantos anos já tinha, a resposta era sempre a mesma:
“Meu caro senhor, os anos que ainda me restam para viver, também eu gostaria muito d saber. Nesta fase da minha vida, a única coisa que sei e posso dizer-lhe, é o número dos anos que já gastei”.
Estatisticamente falando, de acordo com os dados de que dispomos, é comumente aceite que, enquanto as mulheres vivem até aos oitenta e oito anos, os homens vivem apenas até aos oitenta e seis.
Num tempo em que quase tudo se substitui, o gesto mais raro talvez já não seja reparar o que se partiu, mas permanecer diante daquilo que quase todos deixaram de acreditar que ainda pode ser salvo.
Fernando Távora, que contribuiu de modo notável para redefinir os termos da prática da Arquitectura em Portugal na segunda metade do século XX, precisou de pouco mais de meia dúzia de páginas para nos ensinar aquilo que realmente importa na disciplina.
Fernando Távora, que contribuiu de modo notável para redefinir os termos da prática da Arquitectura em Portugal na segunda metade do século XX, precisou de pouco mais de meia dúzia de páginas para nos ensinar aquilo que realmente importa na disciplina.
QUESTÃO-“…em determinadas situações, face à natureza e montante dos respetivos rendimentos, há contribuintes que ficam dispensados de entregar a declaração de rendimentos modelo nº. 3 de IRS …”
As últimas semanas têm mostrado um Ministério da Saúde em roda livre, parecendo não ter rei nem roque, e quem leva por tabela são os habitantes do Interior do País.
Corria o dia 21 de abril quando a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi ouvida no Parlamento no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à greve do INEM, que em 2024 esteve ligada a pelo menos 11 mortes, apesar de o Ministério Público já ter recusado responsabilidades.
A DECO está a percorrer o país com o projeto TUDO A QUE TENS DIREITO, uma iniciativa que pretende tornar os serviços de informação e apoio ao consumidor mais acessíveis e próximos de todos os cidadãos, em todo o território nacional.
Por estes dias, soube-se que a estrada de ligação entre Bragança e Puebla de Sanabria obteve a Declaração de Impacto Ambiental favorável, embora condicionada, mas perdeu o financiamento do PRR.
Tal informação deve ter deixado cada um de nós com um sentimento ambivalente: por um lado, parece estar a abrir-se uma porta, por outro, percebe-se que a chave passou para outras mãos.
O texto do Prof. José Augusto Pacheco (JAP), Público, 21 de Abril de 2026, Que conhecimento conta na escola?, fez-me reler os diálogos de Platão: Teeteto e O Sofista (edições comentadas da Fundação Calouste Gulbenkian), e Protágoras (Platão – Diálogos, Edições Melhoramentos). Nestes diálogos são evocadas as conversas do sábio Sócrates com os discípulos sobre as relações do conhecimento com: (i) a alma (Protágoras); (ii) qualquer mercadoria (O Sofista); (iii) a verdade e virtude (Teeteto). Lições para reter, porque, no essencial, a realidade atual exige grande reflexão.
Vivemos um tempo de incertezas. A instabilidade instalou-se nas grandes certezas que garantiam algum equilíbrio às lutas e jogos de poder. Os democratas parecem preferir ir a reboque dos movimentos autocráticos a lutar pelos valores que dizem ter garantido a sua paz durante 81 anos. O Dinheiro e o Poder são agora os factores que determinam as decisões oportunistas. A luta pelas fontes energéticas e, em breve, pelas matérias raras (lítio, urânio e outras) e pela água, fizeram esquecer os princípios essenciais das democracias.
- A nível mundial, não se perspetiva nada de bom
300 milhões de pessoas estão a viver nas ruas.
1 000 milhões de pessoas estão a viver em casas indignas, tipo bairros da lata.
60 milhões vivem na África em barracas miseráveis.
500 milhões vivem na Ásia em casas sem luz, sem água e sem saneamento.
No Brasil, Lula da Silva encara a hipótese de proceder à extração de petróleo na foz do rio Amazonas antes que R. Trump reivindique a posse das jazidas
– Se mal por lá, por cá…estamos conversados?
O meu amigo diácono Ilídio Mesquita, de saudosa memória [+28 12 2018], permanece como uma daquelas figuras que o interior deve guardar com estima, não por folclore sentimental, mas porque fez aquilo que o Estado tantas vezes esquece: defendeu vidas. Simples no trato, firme quanto baste na convicção, foi capaz de transformar uma causa local numa lição nacional. Assim aconteceu na “manif pelo Heli”, em 2012, quando ergueu a voz pela permanência do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros.
Ainda vai dar água pela barba a "refundação do INEM", tal como foi anunciada pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no Parlamento.
As populações locais começam a organizar-se para lutar pelo direito à vida, que a retirada de meios de emergência da região vem colocar em causa. E não é só do helicóptero que se fala.
Desde logo, a presença de helicópteros de emergência médica no interior do país foi decidida, há décadas, precisamente pelas dificuldades que as populações aqui residentes têm no acesso a cuidados de saúde diferenciados e a meios de emergência.
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