Editorial - António Gonçalves Rodrigues

A mesma medida para o que é diferente provoca diferenças ainda maiores

regresso às aulas que hoje se concretiza na maioria das escolas do país constitui um dos maiores desafios para a nossa sociedade nos próximos tempos de pandemia.
A convivência de milhares de alunos, professores e funcionários no mesmo espaço é um potencial de contágio sem precedentes.
Depois de seis meses afastados das escolas, os alunos, sobretudo os mais novos, estarão, certamente, ansiosos pelo regresso ao convívio com amigos e colegas e às brincadeiras do costume.


O legado que deixamos

O Papa Francisco acusou, esta segunda-feira, os países e empresas do hemisfério Norte de enriquecerem à custa da exploração dos recursos dos estados pobres do Sul, alertando para as consequências ambientais desta atuação.
“Estamos a espremer os bens do planeta. A espremê-los como se fossem uma laranja”, afirmou o chefe da Igreja Católica, lia-se numa notícia da Agência EFE, de Espanha, que citava um vídeo divulgado sobre o tema da Jornada Mundial da Oração pela Criação.


O tempo que parou e que nos parou

Agridoce. É este o sabor que fica no paladar depois de uma volta por uma qualquer cidade ou vila do Nordeste Transmontano, uma terra em que o tempo quase parou mas em que temos vontade de acelerar os ponteiros do relógio. Até um outro tempo, lá mais à frente, que esperamos não seja longínquo mas em que a nova normalidade seja tão normal como a velha.


Esperança e Fé

Este querido mês de agosto tem sido menos carinhoso do que o costume, sobretudo para os comerciantes locais do Nordeste Transmontano.
Após dois meses (nalguns casos mais) de paragem forçada, as restrições de movimentos impostas não permitiram o ansiado regresso à normalidade, numa altura do ano em que as faturações têm de compensar, em muitos casos, meio ou mais.
É em alturas destas que a nossa Fé é posta à prova.


Autárquicas já mexem e prometem ser quentes

Domingo, dia 02 de agosto, o Papa Francisco lançou um alerta. “Espero que, com o compromisso convergente de todos os líderes políticos e económicos, o trabalho seja relançado: sem trabalho, as famílias e a sociedade não podem seguir em frente. Vamos rezar por isto, porque é e será um problema do pós-pandemia”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus, citado pela agência Ecclesia.
"Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco manifestou a sua preocupação com “a pobreza, a falta de trabalho”.


O associativismo como um sinal da sociedade

Os problemas que se verificam atualmente no Grupo Desportivo de Bragança são um sinal da sociedade ao qual devemos estar atentos.
Com duas Assembleias Gerais já realizadas, com cerca de 30 sócios (há dois anos votaram 700 no último ato eleitoral) presentes e sem que de entre eles tenha havido um com disponibilidade para encabeçar uma lista que fosse capaz de reunir os elementos necessários, fica demonstrado que o movimento associativo não atravessa uma das suas fases mais saudáveis.
Até porque este não é um problema exclusivo do GDB.


E agora sem rede...

Agora que estamos a chegar ao quarto mês DC (depois da covid), a espuma e a agitação inicial que nos envolveu num desassossego permanente começam, finalmente, a assentar e a permitir vislumbrar o que aí vem em termos de tormentas sociais e a começar a perceber o que o coronavírus nos está a fazer enquanto sociedade.
Há quatro meses e meio vivíamos, ainda, uma fase de otimismo irritante, com a discussão a centrar-se no saldo positivo das contas do Estado e na descentralização do Conselho de Ministros, que se realizava, desta vez, em Bragança.


Saturação

Três meses e meio depois do início de um período que os portugueses nunca mais irão esquecer, em que as expressões “confinamento” ou “distanciamento social” entraram no nosso dia a dia de repelão mas tomaram conta do sofá da sala, já não esperava ainda escrever sobre a pandemia e a covid-19. Pelo menos, não até outubro.
Tentei resistir mas a verdade é que, por maior que seja a saturação que já tenhamos com o tema, ele veio para ficar. Imiscuiu-se no meio de nós vai condicionar os nossos comportamentos em sociedade nos próximos anos, se não para sempre.