Jorge Novo

O tempo de estar e de ficar

Há encontros que começam sem grande plano: uma cadeira numa das esplanadas tão bonitas e apetecíveis que Bragança tem, um café ou um fininho ou mais, uma conversa despretensiosa e bem-disposta que se prolonga e, quando damos por ela, eis que a tarde já se foi.
Talvez tenha sido essa mesma a melhor maneira de a viver.
Por esta razão, e por outras, pode dizer-se que há qualquer coisa de singelo no verão. São os dias mais longos, as agendas livres e simplesmente a possibilidade de estarmos assim “um pouco mais devagar”.


As férias na sociedade do desempenho

Vêm aí as benditas férias, assim sentidas, pois há um cansaço que já não vem apenas do trabalho, nem do peso dos dias, nem sequer das horas mal dormidas. É um cansaço mais fundo, mais silencioso e mais perigoso...
É o cansaço de termos passado a viver, quase na plenitude do dia e como exigência da sociedade, como se fôssemos máquinas programadas para produzir, responder, vencer e andar sempre felizes.


Novas Maravilhas, velhos desafios

As recentes candidaturas e a passagem à fase final do Castelo de Bragança e da Domus Municipalis às “Novas 7 Maravilhas de Portugal” enchem-nos, naturalmente, de orgulho bragançano.
No entanto, quer a Domus Municipalis, único exemplar de arquitetura civil românica em toda a Península Ibérica e classificada como Monumento Nacional desde 1910, quer o Castelo de Bragança, um dos mais importantes e melhor preservados do país, também Monumento Nacional desde 1910, não precisam de concursos para provar o seu valor.


Entre Bragança e Puebla, uma promessa que (não) pode ficar pelo caminho

Por estes dias, soube-se que a estrada de ligação entre Bragança e Puebla de Sanabria obteve a Declaração de Impacto Ambiental favorável, embora condicionada, mas perdeu o financiamento do PRR.
Tal informação deve ter deixado cada um de nós com um sentimento ambivalente: por um lado, parece estar a abrir-se uma porta, por outro, percebe-se que a chave passou para outras mãos.


Arte que obriga a pensar

Em Londres, na Waterloo Place, coração simbólico de uma cidade de muitos e belos monumentos e memórias do poder, o artista Banksy voltou a fazer o que melhor sabe: interromper a paisagem e o corre-corre da vida para obrigar a pensar.
A sua nova escultura, ali instalada sem autorização, representa um homem de fato, que avança sobre um pedestal enquanto uma grande bandeira lhe cobre o rosto, com um pé já fora dele e a dirigir-se ao vazio.


A escola inclusiva: entre a lei e a sala de aula

Em Bragança, como na maior parte das outras escolas do país, a sala de aula já não é o espaço previsível que durante anos julgámos conhecer. Hoje, entrar numa turma é encontrar ritmos diferentes, atenção desigual e necessidades que não cabem num modelo único. É uma mudança que se sente no dia a dia, nas conversas com colegas, nas perguntas dos pais e nas reações dos próprios alunos.


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