Luís Filipe Guerra

Juiz, membro do Centro Mundial de Estudos Humanistas

Opiniões e desigualdades

Numa das suas tiradas célebres, o escritor José Saramago referiu que “o drama não é que as pessoas tenham opiniões, mas sim que as tenham sem saberem do que falam”.
Fazia, assim, eco da ideia que o filósofo Ortega y Gasset já havia deixado no seu famoso livro “A Rebelião das Massas”, de que, hoje em dia, qualquer pessoa (o homem-massa) não escuta nada, mas sente-se em posição de opinar sobre tudo.

Estas ideias são um repto a todo o cronista, incitando o mesmo a documentar-se para falar dos assuntos sobre os quais pretende emitir opinião.


Para além do luto

A pandemia e a guerra na Ucrânia vieram obrigar-nos a lidar quotidianamente com o tema da morte nestes últimos tempos.
Obviamente, a morte esteve sempre presente à nossa volta, já que a finitude é uma condição inexorável do ser humano, mas a consciência da mesma vai flutuando em função dos momentos da vida.


Impactos da Pandemia

O impacto mais profundo da pandemia começa agora a mostrar-se, ao fim de quase dois anos de emergência sanitária, com algumas intermitências.
De facto, a pandemia não significou somente a irrupção de uma nova doença, com uma letalidade considerável, sobretudo nas gerações mais velhas e nas pessoas com imunodepressão, sem uma resposta terapêutica eficaz.


Culturas telúricas

Conversar com a população transmontana é, além de tudo o mais, sentir o substrato de ruralidade que nutre as suas vivências, passadas e atuais. Mesmo aqueles que vivem nas cidades, mantendo atualmente um estilo de vida predominantemente urbano, mostram os sinais de uma cultura profundamente telúrica, que o escritor Miguel Torga tão bem soube ilustrar nos seus contos.


A rebelião contra o sofrimento

No final do mês passado, tive a oportunidade de me reunir com um grupo de estudos que tinha como interesse comum refletir sobre a seguinte pergunta: “À medida que a vida passa, cresce em ti a felicidade ou o sofrimento?”1
E se essa era a pergunta, a atitude que orientava a procura da resposta era a de saltar por cima do sofrimento, para que pudesse crescer a vida em cada um e não o abismo ou a sombra.


Regresso às aulas

Com a aproximação do outono acaba também o período de férias escolares.
Por todo o lado, a azáfama própria do regresso às aulas toma conta das famílias.
Ajustam-se novamente as rotinas para organizar o dia em função dos horários escolares dos filhos, bem como para incluir as suas atividades extracurriculares, se for esse o caso.


Tempos livres

A chegada do verão está associada ao período de férias, senão no presente, pelo menos na memória ou na imaginação de cada um. No geral, as férias estão gravadas com uma sensação leve, alegre e luminosa, apesar dos percalços que podem sempre suceder.
Trata-se de um tempo livre em que, em princípio, cada um pode fazer o que mais gosta.
No entanto, a experiência demonstra que, em muitos casos, há inúmeras tarefas pendentes de que só no período de férias se consegue tratar, consumindo tempo livre.


O tempo da solidão

O Século da Solidão” é um livro recentemente editado em Portugal, da autoria de Noreena Hertz, o qual, segundo a respetiva sinopse, nos dá “um retrato desassombrado, mas otimista, do mundo solitário que construímos e mostra-nos como a pandemia de Covid-19 acelerou o problema da solidão e o que precisamos de fazer para nos religarmos”.


O mundo pós-pandemia

Um dos exercícios mais complicados da atualidade é prefigurar como será o mundo pós-pandemia, sem que nos limitemos a projetar os nossos temores ou desejos momentâneos, mais grosseiros ou mais elevados, mas sim descrevendo e interpretando as tendências que se desenham nas sociedades humanas dentro de um processo histórico maior.
De outra forma, cada um tratará de ver nesta situação a mera confirmação das suas crenças e expetativas, por mais contraditórias ou insustentáveis que se afigurem.


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