Editorial - António Gonçalves Rodrigues

Esperança e Fé

Este querido mês de agosto tem sido menos carinhoso do que o costume, sobretudo para os comerciantes locais do Nordeste Transmontano.
Após dois meses (nalguns casos mais) de paragem forçada, as restrições de movimentos impostas não permitiram o ansiado regresso à normalidade, numa altura do ano em que as faturações têm de compensar, em muitos casos, meio ou mais.
É em alturas destas que a nossa Fé é posta à prova.


Autárquicas já mexem e prometem ser quentes

Domingo, dia 02 de agosto, o Papa Francisco lançou um alerta. “Espero que, com o compromisso convergente de todos os líderes políticos e económicos, o trabalho seja relançado: sem trabalho, as famílias e a sociedade não podem seguir em frente. Vamos rezar por isto, porque é e será um problema do pós-pandemia”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus, citado pela agência Ecclesia.
"Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco manifestou a sua preocupação com “a pobreza, a falta de trabalho”.


O associativismo como um sinal da sociedade

Os problemas que se verificam atualmente no Grupo Desportivo de Bragança são um sinal da sociedade ao qual devemos estar atentos.
Com duas Assembleias Gerais já realizadas, com cerca de 30 sócios (há dois anos votaram 700 no último ato eleitoral) presentes e sem que de entre eles tenha havido um com disponibilidade para encabeçar uma lista que fosse capaz de reunir os elementos necessários, fica demonstrado que o movimento associativo não atravessa uma das suas fases mais saudáveis.
Até porque este não é um problema exclusivo do GDB.


E agora sem rede...

Agora que estamos a chegar ao quarto mês DC (depois da covid), a espuma e a agitação inicial que nos envolveu num desassossego permanente começam, finalmente, a assentar e a permitir vislumbrar o que aí vem em termos de tormentas sociais e a começar a perceber o que o coronavírus nos está a fazer enquanto sociedade.
Há quatro meses e meio vivíamos, ainda, uma fase de otimismo irritante, com a discussão a centrar-se no saldo positivo das contas do Estado e na descentralização do Conselho de Ministros, que se realizava, desta vez, em Bragança.


Saturação

Três meses e meio depois do início de um período que os portugueses nunca mais irão esquecer, em que as expressões “confinamento” ou “distanciamento social” entraram no nosso dia a dia de repelão mas tomaram conta do sofá da sala, já não esperava ainda escrever sobre a pandemia e a covid-19. Pelo menos, não até outubro.
Tentei resistir mas a verdade é que, por maior que seja a saturação que já tenhamos com o tema, ele veio para ficar. Imiscuiu-se no meio de nós vai condicionar os nossos comportamentos em sociedade nos próximos anos, se não para sempre.


A história tende a repetir-se

Ciclicamente, a história tende a repetir-se. Daí a necessidade de estudarmos a história para aprendermos com os erros cometidos e não os repetirmos.
Há cerca de um século, quando o mundo enfrentou uma outra pandemia, de gripe espanhola, também houve necessidade de recorrer ao confinamento.
Na altura, as condições que se viviam na generalidade das aldeias e cidades portuguesas não eram, nem de longe nem de perto, as mesmas que se vivem atualmente.


Desconfinamento e paraquedistas

Exatamente um mês depois, o concelho de Bragança registou, ao final da tarde de sexta-feira, mais dois casos positivos a covid-19, o que já não acontecia desde 05 de maio. Já no domingo, mais sete resultados positivos, quatro deles vindos da região de Lisboa, a mais afetada do país, para o Nordeste Transmontano.
O desconfinamento gradual que temos vivido não pode ser desculpa para baixar a guarda. Nas últimas semanas tem havido uma série de comportamentos de risco na região, que têm sido denunciados aqui no Mensageiro, mas que tocam a todos.