Editorial - António Gonçalves Rodrigues

Duas faces de uma mesma moeda

As Terras de Trás-os-Montes e a província de Zamora vivem de mãos dadas há muito, desde antes, até, da fundação de Portugal. Estão, agora, separadas por uma fronteira administrativa, criada pelos homens, mas unidas por uma realidade social, económica e territorial que apresenta muito mais semelhanças do que diferenças. São, em muitos aspetos, duas faces da mesma moeda: territórios de baixa densidade, afastados dos grandes centros de decisão e confrontados com problemas estruturais que não terminam na linha que divide Portugal e Espanha.


Salvar a face?

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, teve de pôr de lado a dieta que vinha fazendo para engolir um grande e valente sapo.
Depois de ter dito, em abril, uma coisa sobre a localização dos meios aéreos de emergência do INEM, veio agora, a 03 de junho, desdizer-se e afirmar precisamente o contrário.
O problema: ambas as intervenções estão registadas em vídeo (que pode ver no site do Mensageiro de Bragança) e são clarinhas como a água.


A região que queremos

Nos últimos tempos, tem havido diversos debates sobre aspetos diferentes de projetos que serviriam a região. Desde aspetos da saúde (ainda a questão dos helicópteros), passando pela mobilidade (ligações a Espanha, sendo rodoviária até à Puebla de Sanábria, seja por via férrea até Zamora), pelo regadio, agricultura, gestão das florestas, etc.
A questão é que há muito deixou de se ouvir uma voz em uníssono, dos vários responsáveis políticos da região, nomeadamente autarcas.


Pensar o futuro

Em pleno mês de maio assistimos, por estes dias, o termómetro a subir para temperaturas próximas dos 40 graus. Uma onda de calor que atravessa toda a Europa e que também chega a Portugal, fazendo lembrar o que aconteceu há apenas dois anos.
Em 2024, o mês de maio também trouxe um calor inusitado para a época primaveril que se vive nesta altura do ano.
Os especialistas alertam que fenómenos como este serão cada vez mais frequentes e cada vez mais duradouros.


Contradições...

As últimas semanas têm mostrado um Ministério da Saúde em roda livre, parecendo não ter rei nem roque, e quem leva por tabela são os habitantes do Interior do País.
Corria o dia 21 de abril quando a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi ouvida no Parlamento no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à greve do INEM, que em 2024 esteve ligada a pelo menos 11 mortes, apesar de o Ministério Público já ter recusado responsabilidades.


Cada sachada, sua minhoca

Ainda vai dar água pela barba a "refundação do INEM", tal como foi anunciada pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no Parlamento.
As populações locais começam a organizar-se para lutar pelo direito à vida, que a retirada de meios de emergência da região vem colocar em causa. E não é só do helicóptero que se fala.
Desde logo, a presença de helicópteros de emergência médica no interior do país foi decidida, há décadas, precisamente pelas dificuldades que as populações aqui residentes têm no acesso a cuidados de saúde diferenciados e a meios de emergência.


Golpe de asa

Na Assembleia Municipal de Bragança, da passada quinta-feira, o assunto das chefias intermédias do município voltou a vir à baila.
O executivo liderado por Isabel Ferreira propôs à Assembleia novos critérios para a seleção de elementos para as chefias de terceiro grau e inferiores.
Na prática, a única diferença é a retirada da expressão "efetivos de serviço" que restringia a trabalhadores do município a possibilidade de serem recrutados para essas funções. Essa restrição foi considerada inconstitucional pela CCDR-N, em parecer enviado anteriormente à autarquia.


Abril

Cinquenta e dois anos passaram desde aquele dia 25 de abril de 1974. Muito já foi dito e bastante escrito. Mas para quem, como no meu caso, nasceu depois desse dia 25 de abril de 1974, a memória torna-se algo mais difusa.
Se não faltam crónicas e relatos do que aconteceu nas ruas de Lisboa, no Quartel do Carmo, em Santarém, a verdade é que, no Nordeste Transmontano, muito estava ainda por dizer.
E isso ficou bem patente depois de uma conversa, à mesa, com o historiador militar brigantino, Abílio Lousada.


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