Editorial - António Gonçalves Rodrigues

Uma história demasiado antiga..

Desde há muito que falamos do abandono do Interior do país. Mas o abandono institucional do Interior não começou agora. A história da presença militar em Bragança demonstra-o de forma particularmente clara. Segundo a investigação do CEPESE divulgada pelo blogue “Memórias… e outras coisas…”, já em 1855 a Câmara Municipal pedia ao Governo que conservasse na cidade o Batalhão de Caçadores n.º 3, por considerar a sua permanência “necessária” e “urgente”.


Assimetrias e perda de serviços públicos

Há situações que, por mais voltas que se dê à cabeça, não há forma de fazerem sentido. Algo que, com determinadas decisões políticas, não fazem sentido.
Cada serviço retirado ao Interior é apresentado como uma reorganização. Cada concentração no litoral ou numa capital regional surge embrulhada em palavras como “eficiência”, “modernização” ou “racionalização”. O problema é que, para quem vive no Nordeste Transmontano, essas palavras traduzem-se quase sempre na mesma realidade: percorrer mais quilómetros, esperar mais tempo e receber menos do Estado.


Uma ideia boa que não é uma boa ideia

Há ideias boas mas nem todas são boas ideias. isso é o que está a acontecer com a "Volta".
A medida “Volta”, criada para incentivar a devolução de embalagens de bebidas através de um sistema de recompensa, parecia reunir todas as condições para ser um sucesso. Menos lixo, mais reciclagem, uma economia mais circular e cidadãos premiados por adotarem comportamentos ambientalmente responsáveis. No papel, difícil seria pedir mais.
Mas a realidade, essa teima em não respeitar os gabinetes onde as políticas são desenhadas.


Investimentos certeiros

À primeira vista, quem passa pela autoestrada transmontana em direção a Bragança estranha o edifício que corta o monte que se apresenta pelo lado direito de quem chega ao Nordeste Transmontano, pouco depois de passar por Rossas.
Um monte, outrora selvagem, apresenta-se, agora, rasgado pelo betão e vidro de um novo edifício.
Trata-se do Hotel Água, em Pinela, ontem inaugurado com a presença de diversas individualidades, mas que representa um investimento superior a dez milhões de euros.


Duas faces de uma mesma moeda

As Terras de Trás-os-Montes e a província de Zamora vivem de mãos dadas há muito, desde antes, até, da fundação de Portugal. Estão, agora, separadas por uma fronteira administrativa, criada pelos homens, mas unidas por uma realidade social, económica e territorial que apresenta muito mais semelhanças do que diferenças. São, em muitos aspetos, duas faces da mesma moeda: territórios de baixa densidade, afastados dos grandes centros de decisão e confrontados com problemas estruturais que não terminam na linha que divide Portugal e Espanha.


Salvar a face?

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, teve de pôr de lado a dieta que vinha fazendo para engolir um grande e valente sapo.
Depois de ter dito, em abril, uma coisa sobre a localização dos meios aéreos de emergência do INEM, veio agora, a 03 de junho, desdizer-se e afirmar precisamente o contrário.
O problema: ambas as intervenções estão registadas em vídeo (que pode ver no site do Mensageiro de Bragança) e são clarinhas como a água.


A região que queremos

Nos últimos tempos, tem havido diversos debates sobre aspetos diferentes de projetos que serviriam a região. Desde aspetos da saúde (ainda a questão dos helicópteros), passando pela mobilidade (ligações a Espanha, sendo rodoviária até à Puebla de Sanábria, seja por via férrea até Zamora), pelo regadio, agricultura, gestão das florestas, etc.
A questão é que há muito deixou de se ouvir uma voz em uníssono, dos vários responsáveis políticos da região, nomeadamente autarcas.


Oferta para Assinantes

Cartão Moeve