Editorial - António Gonçalves Rodrigues

A vida pede atenção

Saímos de casa convencidos de que havemos de voltar. Ficamos de telefonar mais logo, adiamos uma conversa para o jantar, fazemos contas ao que ainda falta cumprir. É dessa confiança discreta que se fazem os dias. Até que uma notícia nos lembra, com uma violência para a qual nunca estamos preparados, que o regresso não está garantido.


A casa de todos

A Catedral de Bragança completou 25 anos. É uma idade jovem para um templo desta natureza, sobretudo quando comparada com os séculos de história de outras catedrais portuguesas. Mas, por detrás desta juventude, existe uma espera muito antiga. A catedral teve um parto difícil, atravessando gerações, projetos, promessas e obstáculos até ganhar o lugar que hoje ocupa na cidade e na vida da diocese.


A coragem e a visão que são precisas para a região

No sábado, Alfândega da Fé acolheu um acontecimento que, para muitos, quase passou despercebido mas que para o coração da diocese foi marcante e impactante.
O I Encontro de Missionários Digitais encheu o auditório da vila ao longo da tarde e reuniu mais de três mil pessoas no concerto do Pe. Guilherme, que se seguiu. Mais gente do que a população da própria vila, que tem perto de 2500 pessoas, num concelho que totaliza cerca de 4500 habitantes.


A consequência esperada

Nas últimas semanas têm sido notícia as filas intermináveis nas urgências e consultas dos hospitais dos grandes centros urbanos, a falta de vagas nas escolas públicas e a escassez de professores, particularmente sentida na região de Lisboa. O hospital Amadora-Sintra, por exemplo, foi projetado para servir 300 mil pessoas mas já é procurado pelo dobro.

Estes são sintomas de um problema mais profundo: a concentração excessiva da população numa estreita faixa do litoral. Um resultado há muito esperado, tendo em conta as políticas de concentração que há décadas vêm sendo seguidas.


O desgoverno dos incêndios

A cada ano que passa, as imagens dos nossos concelhos reduzidos a cinzas e as populações, de mãos na cabeça, reduzidas à descrença, pululam nas televisões e nos jornais.

Ao longo dos últimos 40 anos (os que eu me lembro), há tradições de verão que se mantêm inalteradas: as idas à praia, as festas nas aldeias, a Volta a Portugal em bicicleta e os incêndios florestais.


Pôr Bragança no mapa

Se fizer uma pesquisa no google sobre Bragança, facilmente chega à conclusão que já existem várias localidades com esse nome no mapa. Duas são no Brasil – Bragança do Pará e Bragança Paulista – e uma outra situa-se na extremidade Nordeste de Portugal continental.
Portanto, quando se fala em pôr Bragança no mapa está a usar-se uma metáfora, ou seja, a fazer uma comparação mas sem usar a partícula comparativa (‘como’). Ao jeito de “tornar Bragança tão relevante como – lá está ela – se fosse um ponto grande e incontornável num mapa”.


Uma história demasiado antiga..

Desde há muito que falamos do abandono do Interior do país. Mas o abandono institucional do Interior não começou agora. A história da presença militar em Bragança demonstra-o de forma particularmente clara. Segundo a investigação do CEPESE divulgada pelo blogue “Memórias… e outras coisas…”, já em 1855 a Câmara Municipal pedia ao Governo que conservasse na cidade o Batalhão de Caçadores n.º 3, por considerar a sua permanência “necessária” e “urgente”.


Assimetrias e perda de serviços públicos

Há situações que, por mais voltas que se dê à cabeça, não há forma de fazerem sentido. Algo que, com determinadas decisões políticas, não fazem sentido.
Cada serviço retirado ao Interior é apresentado como uma reorganização. Cada concentração no litoral ou numa capital regional surge embrulhada em palavras como “eficiência”, “modernização” ou “racionalização”. O problema é que, para quem vive no Nordeste Transmontano, essas palavras traduzem-se quase sempre na mesma realidade: percorrer mais quilómetros, esperar mais tempo e receber menos do Estado.


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