Pe. Estevinho Pires

São Bartolomeu a Santuário já! Depois das obras...

No passado domingo, o Monte de São Bartolomeu, a 833 metros de altitude, acolheu a celebração do Padroeiro, culminando na assinatura pública do Protocolo de Colaboração entre o Cabido e o Município. Perante uma expressiva assembleia, unindo as forças vivas de Samil e da Cidade, escuteiros e as mais altas autoridades civis e eclesiais, o ato transcendeu a mera espuma dos dias.


A festa do Apóstolo no cabeço

No próximo domingo, 23 de agosto de 2026, às 18h00, a comunidade cristã de Bragança, Samil e aldeias vizinhas une-se na “Capela do Planalto de São Bartolomeu”. Fá-lo para uma celebração que, de forma atípica, antecipa a Solenidade do Apóstolo. É no pulsar da nossa terra que recuperamos a memória de Natanael, o homem a quem Jesus elogiou pela ausência de fingimento («Eis um verdadeiro israelita») e que levou o Evangelho até aos confins do mundo.


A melodia na garganta

Há quem queira pintar a manta e vestir-me com cores partidárias. Na infância, diziam-me que o rubro me assentava bem, talvez prevendo acesos debates de sacristia. Nem ontem, nem hoje, nem rubro, verde, rosa, laranja, ou azul-celeste. Até uma camisa me incomoda se antevejo leituras enviesadas no tribunal da esquina, ou no adro da igreja. Há anos que o branco e o cinza contrastam na indumentária, com o colarinho clerical usado com orgulho (e sem desprimor para os administrativos).


Bispo Vermelho, com sabor a laranja, lazarina

A eficácia da proteção social no Nordeste Transmontano resultou da arquitetura de redes humanas. Entre o final de 1980 e o início de 1990, a liderança de D. António José Rafael, então Bispo de Bragança-Miranda, desempenhou um papel marcante e polémico.
Personagem mediática, cultivou uma imagem complexa. Atribuíram-lhe o epíteto de “Bispo Vermelho”, embora o rótulo não correspondesse à sua matriz teológica. Confrontava o Governo e denunciava o abandono e a falta de acessibilidades na região.


Encerra a obra sem Chave d’Ouro

Não há pachorra para o silêncio resignado perante a descaracterização do centro histórico de Bragança. Sem canudos, nem letras gordas, escrevo com as minhas capelas, puxando pelo brio que me racha a alma. Há quarenta anos assisto a dolorosos ataques ao património do burgo. O espaço virou estaleiro imobiliário, sem avisar que era a memória viva da comunidade.


Livro memória e recuperação urgente da Capela

A Feira do Livro devolveu a Bragança algo maior do que livros, devolveu-lhe o gesto de afirmar que, neste interior profundo, também se lê, também se escreve, também se pensa, também se resiste. A Feira acendeu luz onde tantas vezes se supõem espessas sombras. Trouxe ficção, história, poesia, ciência, e trouxe, sobretudo, participação. Num país tantas vezes puxado para o litoral, lembrou que o interior não é margem, é centro de vida.


Tributo a Ilídio Mesquita, ou a atualidade de uma causa

O meu amigo diácono Ilídio Mesquita, de saudosa memória [+28 12 2018], permanece como uma daquelas figuras que o interior deve guardar com estima, não por folclore sentimental, mas porque fez aquilo que o Estado tantas vezes esquece: defendeu vidas. Simples no trato, firme quanto baste na convicção, foi capaz de transformar uma causa local numa lição nacional. Assim aconteceu na “manif pelo Heli”, em 2012, quando ergueu a voz pela permanência do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros.


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