Pe. Estevinho Pires

A Confraria dos Chãos e a assistência aos feirantes [2]

Os Chãos pela sua localização estratégica teve uma importante feira, grande promotora do desenvolvimento local. As feiras mensais, na sua grande maioria, eram instituídas pelo poder central e, restringiam-se quase sempre às sedes de concelho. As anuais coincidiam, em geral, com as grandes festividades litúrgicas. A feira dos Chãos não sendo medieval e, apesar do declínio que algumas sofreram, atravessou o século XVII. O primitivo santuário aparece como resposta à assistência dos feirantes, mercadores e almocreves, que se dirigiam de Bragança para Mogadouro, Mirandela e, Moncorvo.


Nem a última encomendação, da assembleia do clero com agentes funerários, teve tanto impacto.

Retomar as missas a 31 de maio não significou ainda o fim à pandemia, mas o regresso a uma nova normalidade. Os Bispos acordaram orientações com as autoridades sanitárias para garantir a proteção contra a infeção, responsabilizando-nos a todos e cada um. Agora a hora é de cada bispo à frente da sua Diocese.
Este combate quase exige de cada diocese o seu diretório de culto em tempo de Covid - 19, um manual de procedimentos na contingência, detalhado, celebração por celebração, para lutar conjuntamente, com mais rigor, contra tal inimigo.


Brigantinos do culto e, da cultura

Como é que uma diocese pobre, como Bragança, do “interior profundo”, esquecido, de Portugal, tem tantos sacerdotes, duas gerações de homens do culto e da cultura, reconhecidos no mérito, académico, literário, político e, científico?
O Cónego Silvério Pires convoca doze sacerdotes, eu acomodo-os em duas equipas por ordem cronológica, a história do século passado conferiu-lhes as insígnias, atribui-lhes os méritos e, louvores. Ora, vejamos como fica constituído o plantel:


A confraria do Divino Senhor da Agonia dos Chãos [1]

Chãos provém do étimo latino “planus”, que pela via erudita deu plano e, pela via popular chão. Para Belarmino Afonso a configuração do terreno, sem acidentes físicos de monta, plano e com alguns lameiros, confirma versão etimológica popular. Já o Abade de Baçal refere, entre outros, que na Idade Média o termo Chãos indicava um lugar não acastelado, nem defendido por fortificações militares.


Quatro palavras vocacionadas: gratidão, coragem, tribulação e louvor

O Papa Francisco é comedido nas palavras para, como se diz na gíria desportiva e militar, acertar no alvo e não desperdiçar munições. Falou de quatro palavras da vocação, na celebração do 57.º Dia Mundial de Oração pelas vocações, no dia 3 de maio: “gratidão, coragem, tribulação e louvor”. Ainda que de forma improvável, eu sinto as palavras vocacionadas, neste tempo de pandemia, refletidas nas notas e comunicados da Conferência dos Bispos Portugueses, Espanhóis e, Italianos.


Ajuda na libertação do cerco, com mensagens aos que fazem funcionar o país

A necessidade de ser úteis e, cumprir a boa ação, levou os escuteiros, caminheiros [jovens adultos, dos 18 aos 22 anos], do Agrupamento XVIII, de Bragança, no dia 30 de março, deste ano, a lançar uma iniciativa de apoio a quem está na primeira linha de combate à Covid-19, o “Abrigo de Sorrisos”. Esta plataforma informática alojada no “Facebook” senta todo o agrupamento a desenhar, a escrever e, também a pedir mensagens, como o Chefe Pedro Fernandes: “conhece alguém que está na “linha da frente” a trabalhar por nós? Quer escrever uma mensagem de motivação para esses Heróis?


Isolado socialmente mas em comunhão espiritual com todos e cada um de vós.

A todos os paroquianos de Alfaião, de São Pedro de Sarracenos, de Samil, à Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, aos Escuteiros, do Agrup. XVIII e, de um modo particular aos idosos e doentes, nas suas casas, em diferentes instituições sociais, no Lar de São Pedro de Sarracenos, no Palácio da Sabedoria, no Hospital de Bragança, a todos os seus cuidadores, familiares e, profissionais que os assistem, a todos desejo saúde e paz.