Pe. Manuel Ribeiro

A cor da música é a cor da alma

Cantar é próprio da alma. Num tempo marcadamente festivo, com a música acompanhar os dias das vidas de cada um de nós, compreendemos a relação ôntica e umbilical da música com a alma. De facto, além dos múltiplos sons que unem o pluralismo e a diversidade numa harmonia desconcertante, a música tem igualmente cor uma vez que o som traz cor e luz à alma, à vida íntima da pessoa humana. Quantas vezes uma música não nos transporta para uma memória, para um encontro marcante e belo? A música aproxima-nos connosco mesmos, com os outros e com Deus Nosso Senhor.


Onde tens os pés, aí tens a tua cabeça!

É com este ditado popular que quero começar esta reflexão. Foi com imensa surpresa e agrado que conheci este ditado/adágio popular. Numa das minhas visitas aos idosos e mais frágeis da minha comunidade orante e paroquial, um senhor, um homem de coração grande e grande na sapiência inquietou-me (e perturbou-me, até!) com esta expressão: “onde tens os teus pés, aí tens a tua cabeça”.


Amar é guardar alguém no coração

Pudemos neste Tempo Pascal percorrer o caminho do Ressuscitado. N’Ele nos apercebemos que o amor implica, inevitavelmente, o acto de guardar, de guardar algo profundamente sagrado e de valor. Assim o disse Ele: “Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra” (Jo 14, 23-24a).


“É tão só estar só no fim1”

A vida é mesmo uma ‘caixinha’ de surpresas! Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, consegue sempre surpreender-nos. No Domingo da Misericórdia (II Domingo do Tempo Pascal, Ano C), antes da celebração da Santa Missa numa das minhas (muitas) comunidades vinha a escutar a música “Se houver um anjo da guarda” do Pedro Abrunhosa (do Álbum ‘Longe’, ano de 2009). Ficou-me na retina e na memória a forte e intensa expressão “é tão só estar só no fim”.


A lição do postigo

Talvez poucos de nós estarão habituados ao papel ou ao significado dos postigos. Estes integram as portas de todas as (nossas) antigas habitações. Felizmente, ainda podemos ver esta modalidade em muitas das antigas casas ou em casas que se encontrem em ruínas. Nelas – as portas – encontramos duas aberturas: a parte de cima da porta com o postigo (isto é, um abertura e forma de janela) e a porta propriamente dita. A abertura do postigo apenas deixa revelar a parte superior do peito e rosto, deixando ao critério do dono da casa a abertura da porta àquele a quem autenticamente confia.


Das fraquezas, a força: o itinerário pedagógico divino

A Palavra de Deus lança-nos perante o sofrimento e a dor do homem. A equação da vida faz-nos, inevitavelmente, reflectir sobre o sofrimento, sobre a dor, sobre o abandono, sobre o descredito, sobre a amargura e o desgosto da vida e do acto de viver. São tantos os ‘porquês’ que colocamos ... tantas perguntas que ficam – aparentemente – sem resposta. Na verdade, quando eu coloco estes ‘porquês’ eu já estou a rezar. Sim, a rezar.


Qual é a voz que te levanta?

O tempo presente tem evidenciado diversos sinais de uma mudança em curso. Os paradigmas e vectores existenciais estão em reformulação. Sentimos que algo de novo está para vir. É certo que não o sabemos com a precisão de que gostaríamos, mas sabemos que algo de novo virá. O ‘como’ e a ‘forma’ deste processo é algo que teremos que aguardar.


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