Henrique Ferreira

Professor

Habitação: os pobres pagarão a «crise» dos ricos

Interrompo a série sobre Educação para escrever sobre o problema do momento: a habitação.
O Estado deixou de promover habitação social a partir dos anos 90. Fez muita entre 1970 e 1990, através dos institutos públicos de habitação e das cooperativas particulares de habitação, que bafejaram imensas famílias.
O convencimento de que a entrada na União Europeia fazia de nós ricos levou a que descurássemos o problema da habitação ao ponto de até o Governo de Durão Barroso acabar com o crédito jovem à habitação, sendo Ministra Manuela Ferreira Leite.


Educação (2): O lado negro da escola – a fábrica de crimes contra a humanidade

Analisar a Escola como Organização é tão motivador como surpreendente. Descobrimos nela facetas que julgaríamos impossíveis sem um estudo aprofundado e labiríntico, face às maravilhas que os amantes distraídos nos contam sobre ela. A Escola tem muitos lados ou facetas ou dimensões, na linguagem dos avaliadores. Nela encontramos tudo, desde a poesia mais bela aos horrores do desprezo humano total. Só não encontrei nela o assassinato físico (graças a Deus). Mas convém que mantenhamos esta ficção da Escola como o lugar projectivo da grandeza e do amor pelo nosso futuro.


O «ar do tempo» e a requerida crise do sistema de pensões

A ideologia liberal foi, entre nós, tão longe que, até o XXV Governo Constitucional, o actual, teve vergonha e medo de andar para a frente com os projectos de Reforma da Lei Laboral e de Reforma das Pensões, dada a oposição que lhes vem da grande maioria da Sociedade Civil e das associações e corporações profissões. Apesar do «ar do tempo» (Pacheco Pereira, Público de 5/9), o Estado Social resistiu. Por enquanto.


Crise do Estado Previdencial e assalto ao dinheiro dos contribuintes (1

«A única utilidade real dos milagres administrativos é o entretenimento estético que proporcionam a quem já não espera nada da realidade. Em Portugal, a governação há muito que renunciou ao esforço de pensar para se dedicar, com compreensível volúpia, à arte mais limpa e económica da transmutação linguística. O princípio é de uma doçura quase lírica: dita que a escassez de recursos e a debilidade das nossas infraestruturas podem ser elegantemente abolidas se tivermos a audácia legislativa de alterar as certidões de nascimento das nossas instituições.


A banalidade do mal

E chegou Abraão, perguntando sobre a ameaça de Deus de destruir a cidade de Sodoma pela corrupção e concupiscência da sua população: «Destruirás o justo com o ímpio? (…) Destruirás a cidade se porventura se acharem ali só 50 justos? (…) E se forem só dez? ». Respondeu Deus: «Não a destruirei, por amor aos dez.». (Bíblia, Génesis, 18: 23-33).


Notas soltas

Em Portugal, todos reclamamos, de tudo e de todos. No entanto, não reclamamos, de facto, porque não escrevemos, mas, se escrevêssemos, tudo prescreveria por impossibilidade de análise por falta de tempo e de meios. Se fosse de outro modo, comprometer-se-ia o atavismo português, o do «povo que não se governa nem quer ser governado» (Júlio César, 70 a 44 aC; Salazar, 1934). Somos um povo que quer ser feliz, mas sem se chatear com nada e, de preferência, trabalhando o mínimo possível e recebendo o máximo possível.


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