Armando Fernandes

 

 

O 25 de Novembro de 1975

Nesse tresloucado tempo, estava a coordenar um acto formativo destinado aos elementos das Bibliotecas itinerantes, os quais vieram para um bom Hotel de Lisboa, a expensas da Fundação Gulbenkian depois de ter obtido a aquiescência do Administrador do Pelouro, o emérito professor doutor Ferrer Correia, bem como a concessão da verba necessária para o pagamento de todas as despesas com a organização do cursilho durante duas semanas, cujo custo total orçou a quantia de uns 600 mil escudos incluindo os «professores convidados», filósofo e professor de literatura clássica, o poeta e antigo Encarre


CASTANHAS

O Mensageiro informa-me que este ano a colheita do pão de madeira é menor e está atrasada. Desde a escrita de um texto para o livro Maria Castanha da autoria do estimado amigo Jorge Lage que, nada tenho lido acerca do fruto de sentido castanha/castanha que, os bons dicionários de cores escalpelizam a preceito.
Nos países produtores de castanha, o fruto assumiu crucial importância no amenizar a fome ancestral de todos os deserdados, humilhados e ofendidos para lá das jocosidades derivadas dos seus efeitos


Necrologia

O título desta crónica pode parecer despropositado, ao estilo dos jornais de antes da revolução tecnológica, mas é propositado, a causa reside no facto de outrora íamos sabendo da passagem para o mundo dos mortos através da leitura dessa secção, pois os leitores da diáspora recebem a informação a conta-gotas na correnteza do efémero da vida/vida sem as notações dos desaparecidos. Ora, este jornal, apesar da vertiginosa e gigantesca torrente de palavras via redes sociais, mantém a boa prática de dar conta da morte de mulheres e homens de Bragança e terrunhos adjacentes.


Cornucópia de dúvidas?

Os ziguezagues de António Costa, após a apresentação da cornucópia de milhões em oito medidas destinadas às populações atingidas pela crise, continuam a suscitar uma avalanche de dúvidas, a desassossegarem as pessoas cada vez mais amedrontadas ante a persistência da guerra na Ucrânia, o aumento da inflação e perspectivas do desenfreado galope do custo da energia.


Tribulações

Podemos não querer dedicar atenção às desgraças que continuam a fustigar o País de-lés-a-lés, numa continuidade destrutiva a colocar em risco no futuro o nosso património natural e ambiental.


Luar de Agosto

O rifoneiro proclama: Luar de Agosto bate no rosto. Infelizmente, no ano em curso, em muitas regiões do País, o eclatante Luar tem sido ofuscado por negras colunas de fumo e alterosas labaredas semeando projecções de manutenção dos malignos incêndios que nos consomem fazenda, denodados esforços, quantas vezes de um vida inteira de poupanças, para lá do mais importante, a própria existência de todos quantos são vítimas destas catástrofes.


Exaustos e esgotados

Ouvi muitas vezes, na meninice e primeira adolescência, referências ao facto de homens de Bragança irem noite fora colocarem-se no Monte de São Bartolomeu para verem o relampejar dos canhões, enquanto ribombavam e despejavam metralha nas terras vizinhas de Zamora no decurso da cruenta guerra entre irmãos que culminou com a vitória do fascista Franco.


Bisotada

Trabalhos inadiáveis prendem-me ao chão quente escalabitano, impedindo-me de folhear calmamente a notável e monumental obra do sacrificado investigado e Mestre pedagogo Hirondino da Paixão Fernandes, no fito de ver qual é a sua definição do vocábulo Bisotada, o qual será: desmesura, excesso, abundância, no caso em apreço de fogos infernais, dantescos, pois o famoso poeta italiano na sua admirável obra dedica formidáveis poemas ao Inferno.


O fabulista Nuno Santos

A tomada da Bastilha comemora-se no dia da saída Mensageiro nesta semana, no palco da política nacional, o ministro Nuno Santos, o qual no meu parecer, está a ombrear em funambulismo sem vara com António Costa, famoso por sem rede pendurar (ver carta de jogar O Pendurado) a rabulista sem cartola Catarina e o antigo operário da ferrugem Jerónimo.


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