Nordeste Transmontano

IPB será universidade, mas só em parte

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 04/30/2026 - 10:16

O Instituto Politécnico de Bragança deverá passar a Universidade de Bragança e do Interior Norte, mas mantendo também o Ensino Politécnico em simultâneo.
Esse é, pelo menos, o projeto, segundo explicou ao Mensageiro o presidente da instituição, Orlando Rodrigues.

"Obrigatoriamente terá que ser assim, mas de resto isso já existe em muitas universidades. A Universidade do Algarve tem regime politécnico e universitário, de resto tem mais no regime politécnico do que universitário. Aveiro é exatamente a mesma coisa, e depois várias universidades têm escolas politécnicas. Diria que a maioria das universidades tem escolas politécnicas", frisou Orlando Rodrigues.

No caso do IPB, apenas as escolas que têm centros de investigação com avaliação de excelência (Agrária e Tecnologia) dariam o passo para o ensino universitário, mantendo-se as restantes como ensino politécnico (Educação, Saúde, Comunicação e Hotelaria).

O pedido para passar a Universidade já foi entregue, na sequência do anúncio do Conselho de Ministros de que os Institutos Politécnicos de Leiria e Porto iriam ser promovidos a universidades.

"Assim que foi tornada pública essa resolução, nós manifestámos e informámos o Sr. Ministro de que o Instituto Politécnico de Bragança vinha há muito tempo a trabalhar nessa possibilidade, que não a tinha formalizado porque não se tinha anunciado essa abertura, mas que o processo estava pronto na instituição e que vínhamos trabalhando nele. E passados três ou quatro dias, submetemos o nosso pedido, algo que aconteceu há cerca de dois meses", sublinhou Orlando Rodrigues.

Contudo, o presidente do IPB entende que a passagem do Politécnico de Bragança a universidade deveria ser analisado ao mesmo tempo que os pedidos de Leiria e Porto.

"Não seria bom que houvesse aqui um desfasamento. Havendo a intenção de passar algumas instituições, o ideal seria que elas passassem simultaneamente para não haver aqui uma distinção. Repare que nós estamos situados numa região particular, no interior norte, desempenhamos um papel de relevo na coesão territorial. Outras instituições que estão a ser anunciadas estão em zonas altamente urbanizadas e, portanto, temos esse adicional de ser um incentivo muito forte à coesão territorial. Não nos passar a nós dá aqui um sinal um pouco anormal de que se pretende promover o centralismo no país em vez de promover a coesão territorial. No nosso entender, não seria nada bom que houvesse aqui um desfasamento neste processo. O nosso processo está pronto, está entregue, tem todas as condições para ser avaliado e decidido ao mesmo tempo que os outros dois. E portanto, nada o obsta a que haja aqui simultaneidade. E portanto, nós temos dito isso ao Sr. Ministro, temos repetido essa nossa vontade de que haja simultaneidade nos processos e esperamos que assim aconteça", sublinhou Orlando Rodrigues.

Contudo, o Ministro já anunciou que o caso de Bragança será apreciado mais tarde.

Por outro lado, para a criação da nova universidade, terá de ser extinto o IPB. "Formalmente e legalmente, extingue-se o Instituto Politécnico e cria-se uma universidade. Em simultâneo, todo o património e todos os recursos humanos e outros, materiais e imateriais, do Instituto Politécnico de Bragança transitam para a nova instituição, uma vez que não há na lei nenhuma modalidade de evolução. Portanto, tem que se extinguir uma e criar outra, passando todos os os recursos e património de uma instituição para a outra e, portanto, o decreto-lei de criação faz simultaneamente a extinção e a criação de uma nova instituição e depois têm que se alterar os estatutos, tem que se fazer a reavaliação de todos os cursos que transitarem para o regime universitário, uma vez que há aqui algumas diferenças e todos os cursos têm que ser reavaliados, e depois também o plano de transição não implica que todas as unidades orgânicas transitem, porque pode subsistir unidades com natureza politécnica e unidades orgânicas com natureza universitária. Portanto, isso será também uma decisão do Governo, que ficará expressa no Decreto-Lei de criação", explicou.

Depois disso "tem que haver um período de instalação, de transição, para que seja promovida a reavaliação dos cursos e as adaptações necessárias nos cursos que transitam para o regime universitário", disse ainda Orlando Rodrigues.

Apesar de a nova designação ainda não estar decidida, Orlando Rodrigues aponta pistas para Bragança e o Interior Norte. "Com essas referências, seguramente. Bragança por ser a designação histórica que nos identifica e Interior Norte por ser a região que servimos. Não correspondendo propriamente a nenhuma zona geográfica, é uma designação possível, mas isso também depende da decisão do Governo", disse.

O presidente do IPB acredita que com a passagem a Universidade, a instituição poderá atrair mais alunos.

"Isso seguramente que sim, de resto é esse o foco principal que nos motiva. Porque essa mudança de estatuto dá-nos outras ferramentas e melhora significativamente também a imagem institucional", frisou.

Atualmente, o IPB tem cerca de 10500 alunos matriculados e cerca de 800 professores.

Oferta para Assinantes

Cartão Moeve