Edite Estrela

Mais do que coincidências

No dia em que escrevo, 18 de julho, o professor Adriano Moreira, nosso conterrâneo e meu amigo de longa data, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pelo Instituto Universitário Militar, em cerimónia presidida pelo Presidente da República. No discurso de encerramento, bem estruturado e com aquele toque pessoal a que nos habituou, Marcelo Rebelo de Sousa aludiu aos encontros e desencontros do homenageado com a história, exemplificando que só houve desencontro por ele “ter chegado cedo demais”. O que não o impediu de há muito ter conquistado o seu lugar na história.


No caminho certo

O Orçamento do Estado para 2022 (OE22) foi rejeitado pelos partidos à esquerda e à direita do PS. Uma vez mais, uma maioria negativa provocou eleições antecipadas. Eleições desnecessárias e que vão protelar a execução dos fundos europeus alocados ao Programa de Recuperação e Resiliência e, por consequência, retardar a recuperação da economia.


Uma noite eleitoral fora de portas

A noite eleitoral do passado dia 26 de setembro foi atípica. Foi mais longa que o habitual e recheada de incertezas. Apesar dos avanços tecnológicos, os resultados tardavam a certificar vitórias e derrotas. Os dados oficiais ora confirmavam a tendência para um lado ora pendiam para o outro. E as horas iam passando e a ansiedade aumentando. E eu fora de portas, em Estrasburgo, para onde o dever me levara logo a seguir ao cumprimento do dever cívico de votar. Uma noite que jamais esquecerei. Foi a primeira vez que acompanhei, desacompanhada, um ato eleitoral em Portugal.


AS MÃES DA EUROPA

Os “pais” fundadores da unidade europeia são conhecidos. Os nomes de Robert Schumann, Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gaspari, Altiero Spinelli e Paul-Henri Spaak estão gravados na pedra, consagrados em livros, documentários e filmes, deram nome a ruas, edifícios e salas, são estudados em centros de investigação, universidades e institutos. São lembrados e celebrados. E as “mães” fundadoras da Europa? Será que sem o idealismo, a força, e a determinação de Ursula Hirschmann, Louise Weiss e Anna Lindh, para referir apenas três, o projeto europeu teria sido o mesmo?


Todos conta o vírus

alvar vidas é a prioridade. Desde o aparecimento do coronavírus que assim tem sido. Reforçando o orçamento do SNS, contratando recursos humanos, adquirindo equipamentos, alargando o número de camas, recorrendo aos setores social e privado sempre que necessário e possível, trabalhando em rede e de forma coordenada com a União Europeia, ouvindo os cientistas, tomando a difícil decisão de confinar e desconfinar, de fechar e abrir, procurando acorrer a todos e não deixar ninguém para trás.


Nós e a Europa

Há poucas semanas, Portugal vestiu-se de luto e prestou a última homenagem a Eduardo Lourenço, “um poeta do pensamento”, nas palavras de Lídia Jorge, o maior ensaísta português do nosso tempo, um europeísta convicto que não se conformava com a desvalorização da Europa e da sua Cultura. Para o autor de Nós e a Europa ou as duas razões, a Cultura europeia, de difícil definição, é a “cultura das diferenças ao longo da sua História”. Cultura que é tanto de Platão como de Shakespeare, de Miguel Ângelo como de Bach, de Montaigne como de Mozart, de Picasso como de Camões.


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