Paulo Cordeiro Salgado

As pessoas que vou conhecendo

Há pessoas que vou conhecendo, algumas com profundidade, outras momentaneamente, todavia sempre de forma marcante. Ocorrem-me, tento recordá-las. Tantas são. Algumas, vivas ou desaparecidas, constam de crónicas que escrevi neste Jornal, ou fazem parte da minha obra literária.
É das vivas que escrevo hoje. Quatro. Diferentes.


Preocupações

Frei Bento Domingues utilizou, na sua crónica dominical de 17 de Maio (jornal Público), o título “As preocupações de Leão XIV”. Coloca o Papa algumas questões atuais e perturbadoras: «De onde vimos? Onde estamos como cristãos?» E recorda uma figura histórica-religiosa-espiritual, exemplo para crentes e não crentes. Todos aceitamos Francisco de Assis como exemplo de humanidade e de humildade.


Escolas e democracia

O texto do Prof. José Augusto Pacheco (JAP), Público, 21 de Abril de 2026, Que conhecimento conta na escola?, fez-me reler os diálogos de Platão: Teeteto e O Sofista (edições comentadas da Fundação Calouste Gulbenkian), e Protágoras (Platão – Diálogos, Edições Melhoramentos). Nestes diálogos são evocadas as conversas do sábio Sócrates com os discípulos sobre as relações do conhecimento com: (i) a alma (Protágoras); (ii) qualquer mercadoria (O Sofista); (iii) a verdade e virtude (Teeteto). Lições para reter, porque, no essencial, a realidade atual exige grande reflexão.


Saúde, Ciência e Cidadania III – Que médicos desejamos?

No prefácio à obra “Que médicos queremos” do Prof. Dr. Jorge Cruz (Almedina, 2012), o Prof. Daniel Serrão faz a seguinte pergunta (pg. 6): «Que médicos querem os Cidadãos, o Governo, os legisladores, as Escolas de Medicina, o Serviço Nacional de Saúde, a Ordem Profissional?» Podemos afirmar com clareza que todas estas entidades têm legitimidade para fazerem a pergunta. Mas, como acrescenta Daniel Serrão, a maior dificuldade é a resposta que podem dar os cidadãos.


Os tempos que decorrem

Permito-me incluir três textos em exergo (exploratórios):
Primeiro: «É um pequeno passo para [um] homem, um salto gigante para a Humanidade». – Neil Armstrong ao pisar na Lua em 20 de julho de 1969, missão Apollo 11.
Segundo: «Ser ignorante do passado é como ser uma criança para sempre». – Cícero, 106 a.C. - 43 a.C.
Terceiro: «O respeito pela Humanidade começa exatamente em cada um de nós. Sem o respeito pela individualidade e personalidade de cada ser humano, seja ele qual for, não há nada começado neste mundo.» – Almada Negreiros, Ensaios 1º Vol. p. 13.


Saúde, Ciência e Cidadania (Um Pacto para a Saúde) – II

A proposta de um pacto para a Saúde, generalizado a toda a sociedade, defendido pelo Presidente da República, implica a presença de consensos políticos em prol do bem comum. ​ Este assunto levou-me a revisitar obra “Uma mesma ética para todos?” (Éditions Odile Jacob, 1997), Colecção Epistemologia e Sociedade, Instituto Piaget), que reúne contributos de diversos autores, com ideologias diferentes, sobre a busca de princípios éticos universais.


Saúde, Ciência e Cidadania - I

Recentemente, José Mário Leite (JML), profissional ligado à prestigiada e filantrópica Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) trouxe aos leitores do MdB, com muita oportunidade, dois textos relacionando saúde, ciência e cidadania. Em “Respire fundo, agora tussa”, o autor aborda, de forma irónica, contudo realista, o sobreconsumo de meios complementares de diagnóstico, habitualmente prescritos pelos médicos. Veja-se, todavia: os investigadores da FCG criaram um sistema de “observação” do ar que expiramos, que permitirá detetar sintomas e mesmo situações patológicas.


O que fazer?

1. Na segunda volta da eleição presidencial, estão em causa duas ideias e dois comportamentos opostos: de um lado, a defesa da democracia face ao extremismo; do outro, a dicotomia entre o socialismo e o não-socialismo (argumento enganador, destinado a confundir). No que respeita aos comportamentos, é fácil de distinguir: de um lado, a serenidade, a dignidade e o respeito pelos direitos humanos, ou seja, os direitos do Outro, do nosso vizinho, próximo ou afastado; de outro, a postura assente no confronto envenenado e frequentemente baseado em falsidades, à maneira de Trump.


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