Manuel António Gouveia

Atravessar o rio a vau

Penso que não há ninguém que me desminta, se afirmar que só no verão é que consigo atravessar o rio a vau, sem molhar os pés, muito embora, possa surgir um grave desequilíbrio em cima duma alpondra, e vá sujeitar-me a uma arreliante molha que me fará cair na cama. Isto acontece, quase só, devido a algum descuido grave, ou então à confiança que tenho, criada pela rotina. Devo, pois, estar atento ao conselho: “Lembra-te de que, mesmo que atravesses o rio a vau, é possível que algumas vezes te vejas obrigado a molhar os pés”.


Alcançar a felicidade

esperança de que a felicidade vai chegar um dia, não haverá caminho, por mais difícil de percorrer, que não pareça amaciar os perigos que nele nos espreitam. E então, sem desistirmos, iremos, pouco a pouco, encurtar a lonjura que nos separa desse bem-estar, tal como o caminhante que, perdido na escuridão, retoma as forças e se sente reviver, quando ao longe, avista um pontinho de luz que, mesmo a lucilar, lhe leva a certeza de que segue pelo caminho certo.


Um raio de esperança

Por vezes, o desânimo e o medo completam-se para destruir as mais legítimas ambições que o homem procura alcançar.
Quando, depois de lutar com todas as forças, e ao fim da luta, não conseguir atingir o objetivo que me propus encontrar, é natural que o desânimo comece a tomar conta de mim.


A mesa bem servida

Quando vires uma mesa bem servida de comida, lembra-te de que há milhões de pessoas que nem mesa têm.
Tomando esta afirmação como certa, repare-se que há, na sociedade em que vivemos, uma grande injustiça movida pela disparidade entre os que tudo têm e os que nada têm. Esta constatação tem vindo a repetir-se, de dia para dia e de ano para ano, sem que tal situação revele tendência a desaparecer.


O Entrudo 21

Escrevo antes do dia 16 de fevereiro, terça-feira de Entrudo. Não sei como vai passar-se o dia a que outros chamam Carnaval. (Como sou transmontano, aprendi que esta festa dedicada à folia e precede a quaresma é o Entrudo. Por isso, as raízes que ainda me prendem àquela terra obrigam-me a chamar-lhe assim).


A ambição humana

odos os dias vemos, lemos e ouvimos a Comunicação Social que nos informa sobre o que, diária e cruelmente, acontece neste Planeta, e o que, também nele, diz respeito a situações trágicas.
Essa mesma Comunicação Social faz-nos ainda saber que as decisões de muitos governantes estão a querer obrigar-nos a habitar um Planeta que já foi maravilhoso e que, num futuro não muito longínquo, por causa dessas decisões, poderá tornar-se inabitável!


A Igreja Católica

Cada vez mais me tenho apercebido de que, recentemente, vem sido divulgada uma persistente crítica à Igreja Católica.
Esta crítica tem abordado factos considerados escandalosos, alegadamente passados no seio da Igreja, motivados por atos, dissensões e intrigas.
Embora isto me pareça demais, não deixo de aceitar que, quem assim procede lá terá as suas razões, resultantes de uma boa, deficiente ou má informação; ou resultantes de uma investigação feita ou não com o rigor que a mesma exige.


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