Atualização de um projeto compartilhado
De 24 de abril a 2 de maio ocorrem as novenas, que antecedem a Festa da Invenção da Santa Cruz, domingo 3 de maio, de 2026, promovidas pela Confraria do Senhor Jesus de Cabeça-Boa, Samil, Bragança.
Recordo com gratidão um bom amigo, o Prof. João Sampaio, de Zedes, Carrazeda de Ansiães, jornalista, Inspetor do Ministério da Educação, uma voz da região [+ 25-07-2020], que fundou e dinamizou a página eletrónica “CT - Correio Transmontano”. O Prof. Sampaio, fez do jornalismo um ato de terapia e cidadania, sempre presente onde outros órgãos de informação não conseguiam estar. Ajudou-me imenso como prova o histórico “on-line” do “CT”. Tínhamos em comum, entre outros, o projeto da Confraria!
Oferecer uma Via-Sacra de rua, uma estátua do Papa Francisco, uma cruz alta, enquadrados num projeto ambientalmente sustentável, sintonizado com “o Papa mais ambientalista da história da Igreja Católica”, como se lhe reconhecia.
De todo o programa ficou a Via-Sacra de rua, estrutura artística executada em ferro tratado, do escultor brigantino João Ferreira, inspirada no modelo bíblico do Papa Francisco para o Coliseu de Roma em 2017, conferindo atualidade à clássica, ancestral e, artística capela.
Por trás está o anteprojeto de José da Fonte que visa adaptar um espaço para arquivo da Confraria, requalificar o jardim, aproveitar os recursos hídricos e eólicos, para usos sanitários, rega, iluminação e aquecimento, requalificar e adaptar estruturas edificadas, repovoar o adro com árvores autóctones, criar pontos de recolha seletiva de lixo, um espaço de compostagem, entre outros, tudo isto inspirado na carta encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco, na defesa do ambiente.
A intervenção merece continuar pela história, arte, ambiente e paisagem, começando pela escultura do Papa Francisco. Em vida “o Papa exigiu a retirada da sua estátua da catedral de Buenos Aires por ser contra o culto da personalidade”. Hoje, no 1.º aniversário da sua morte [21-04-2025], a estátua impõem-se por respeito, para com o 267.º sucessor de Pedro. “O Papa do povo”, um “Papa dos nossos dias”, que remete para o ambiente, e para a sua salvaguarda, essa força bucólica que sobrepuja Bragança e, qualifica Cabeça-Boa. “Infelizmente, hoje, no nosso mundo inquieto, dilacerado e desfigurado por egoísmos e lógicas de poder, a arte representa, talvez mais que no passado, uma necessidade universal, enquanto fonte de harmonia e paz”, recorda-nos Francisco.
Impõem-se, por todo isto, continuar este projeto pela arte e pelo ambiente, a “arte uma beleza que faz bem à vida e cria comunhão”, como referiu, o Romano Pontífice, Francisco.
