A opinião de ...

Abril

Cinquenta e dois anos passaram desde aquele dia 25 de abril de 1974. Muito já foi dito e bastante escrito. Mas para quem, como no meu caso, nasceu depois desse dia 25 de abril de 1974, a memória torna-se algo mais difusa.
Se não faltam crónicas e relatos do que aconteceu nas ruas de Lisboa, no Quartel do Carmo, em Santarém, a verdade é que, no Nordeste Transmontano, muito estava ainda por dizer.
E isso ficou bem patente depois de uma conversa, à mesa, com o historiador militar brigantino, Abílio Lousada.
O repto foi lançado, de tentar reencontrar os factos para escrever a história de um dia marcante, que deveria constar da lembrança de todos nós, mesmo dos que, como eu, nasceram depois dos acontecimentos.
O repto tornou-se investigação e da investigação nasceram as crónicas, publicadas quinzenalmente nas páginas do Mensageiro de Bragança.
Passados 50 anos, já não foi fácil reconstituir muitos dos factos e ocorrências do que realmente se passou naquele dia. Mas a verdade é que o Nordeste Transmontano participou da Revolução dos Cravos.
Outro repto tinha sido também lançado ao sociólogo Henrique Ferreira, até porque, ele próprio, estando nos Comandos em 1974, viveu por dentro a Revolução.
As suas crónicas e comentários enriqueceram ainda mais as páginas do Jornal Diocesano nos meses que antecederam as comemorações dos 50 anos do 25 de abril.
A cidade engalanou-se e viveu o momento com a solenidade devida e a festa prometida.
A data é redonda e merece ser recordada. Vivida. Pois há datas que marcam o curso da história, que moldam o destino coletivo de um povo. O 25 de Abril de 1974 é, para Portugal, esse momento fundador de uma nova era. Cinquenta anos depois, muito se escreveu e se celebrou sobre a Revolução dos Cravos. Mas há histórias que ainda esperam por voz, olhares que observam de margens mais discretas do país e que, no entanto, viveram esse dia e os que se seguiram com intensidade própria.
Por isso, o Mensageiro editou um livro com essas crónicas, que se propõs precisamente revisitar o 25 de Abril, a partir do coração do Nordeste Transmontano — de Bragança a Miranda do Douro, de Vimioso a Torre de Moncorvo, passando por Vinhais, Mirandela, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor.
"O 25 de Abril no Nordeste Transmontano - a História nunca contada" foi editado pelo Mensageiro de Bragança e apresentado há poucos meses, numa sessão em que muitas das histórias daqueles meses foram recordadas.
Com textos ainda mais completos do que as crónicas publicadas no jornal, tenta-se recordar os acontecimentos daquela altura e faz-se uma análise sociológica e política da região, pelas mãos de quem sabe.
Um livro que ficará para memória futura. De todos, e para todos.
Um livro que serve de homenagem aos homens de abril e que continua disponível para os nossos leitores.

Edição
4085

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