No próximo domingo, 23 de agosto de 2026, às 18h00, a comunidade cristã de Bragança, Samil e aldeias vizinhas une-se na “Capela do Planalto de São Bartolomeu”. Fá-lo para uma celebração que, de forma atípica, antecipa a Solenidade do Apóstolo. É no pulsar da nossa terra que recuperamos a memória de Natanael, o homem a quem Jesus elogiou pela ausência de fingimento («Eis um verdadeiro israelita») e que levou o Evangelho até aos confins do mundo.
A opinião de ...
No início do século XX, as cidades enfrentavam um problema agora difícil de imaginar. As ruas estavam repletas de cavalos responsáveis pelo transporte de pessoas e mercadorias. Milhares de animais circulavam diariamente, produzindo enormes quantidades de dejetos. O cheiro era intenso, as moscas proliferavam e a contaminação da água favorecia a propagação de doenças. O esterco acumulado era um grave problema de saúde pública.
Uma das primeiras lições que se aprende, ao dar os primeiros passos na política passa por saber reconhecer que, neste ambiente, o que parece é! Começou por ser ensinada como um aviso para que, para além das evidências, quem pretende fazer carreira nesta área, teria de ter, igualmente, muita atenção com as aparências.
Pelas melhores, e infelizmente, também pelas piores razões, o problema das migrações voltou a ocupar as primeiras páginas dos jornais e a merecer honras de abertura em tudo o que é tempo de informação nos canais das televisões.
É nos momentos de ameaça e de perigo, como aqueles que vivemos todos os anos na época de verão, em que a região (e o país), se sobressalta com os incêndios recorrentes, que nos lembramos da importância dos lugares que escolhemos para viver. Talvez porque já não alcancemos esse momento fundador, perdido no tempo e na correria do nosso dia-a-dia actual, esquecemos vezes de mais a importância identitária do nosso território e, dentro dele, das várias unidades de um chão comum profundamente humanizado e sedimentado.
Se fizer uma pesquisa no google sobre Bragança, facilmente chega à conclusão que já existem várias localidades com esse nome no mapa. Duas são no Brasil – Bragança do Pará e Bragança Paulista – e uma outra situa-se na extremidade Nordeste de Portugal continental.
Portanto, quando se fala em pôr Bragança no mapa está a usar-se uma metáfora, ou seja, a fazer uma comparação mas sem usar a partícula comparativa (‘como’). Ao jeito de “tornar Bragança tão relevante como – lá está ela – se fosse um ponto grande e incontornável num mapa”.
Há encontros que começam sem grande plano: uma cadeira numa das esplanadas tão bonitas e apetecíveis que Bragança tem, um café ou um fininho ou mais, uma conversa despretensiosa e bem-disposta que se prolonga e, quando damos por ela, eis que a tarde já se foi.
Talvez tenha sido essa mesma a melhor maneira de a viver.
Por esta razão, e por outras, pode dizer-se que há qualquer coisa de singelo no verão. São os dias mais longos, as agendas livres e simplesmente a possibilidade de estarmos assim “um pouco mais devagar”.
Passados mais de 18.300 dias do 25 de abril, depois de ver tudo o que vi, ler tudo o que li e passar por tudo o que passei, já seria muito difícil, se não mesmo impossível, deparar-me com alguma coisa capaz de me surpreender.
Vivemos na era do autarca em permanente estado de digressão festiva!
Em tempos de redes sociais e de uma busca incessante por validação eleitoral contínua, multiplicam-se os executivos municipais que parecem ter como principal métrica de desempenho o número de quilómetros percorridos entre inaugurações de pequenas obras, romarias, certames gastronómicos e eventos e mais eventos.
O edil do século XXI procura estar em todo o lado ao mesmo tempo: em cada arraial, em cada procissão, em cada corte de fita, e em cada pequeno acontecimento transfigurado em mega-evento local.
Desde que foi inventada, entre 1776 e 1787, nos EUA, a democracia nunca se livrou de estar prisioneira dos detentores do poder económico e das regras que estes impuseram ao funcionamento dos sistemas político e administrativo.
Desde há muito que falamos do abandono do Interior do país. Mas o abandono institucional do Interior não começou agora. A história da presença militar em Bragança demonstra-o de forma particularmente clara. Segundo a investigação do CEPESE divulgada pelo blogue “Memórias… e outras coisas…”, já em 1855 a Câmara Municipal pedia ao Governo que conservasse na cidade o Batalhão de Caçadores n.º 3, por considerar a sua permanência “necessária” e “urgente”.
Há quem queira pintar a manta e vestir-me com cores partidárias. Na infância, diziam-me que o rubro me assentava bem, talvez prevendo acesos debates de sacristia. Nem ontem, nem hoje, nem rubro, verde, rosa, laranja, ou azul-celeste. Até uma camisa me incomoda se antevejo leituras enviesadas no tribunal da esquina, ou no adro da igreja. Há anos que o branco e o cinza contrastam na indumentária, com o colarinho clerical usado com orgulho (e sem desprimor para os administrativos).
Luís Neves, não só pela forma eficaz com que combateu o crime organizado no nosso país, mas também e sobretudo pelo ataque certeiro e fundamentado que fez ao discurso xenófobo destruindo a base de barro em que assentava, é o meu herói!
E não deixou de o ser pelas circunstâncias recentes em que se viu envolvido.
Isto não quer dizer, de forma nenhuma, que apoie, suporte ou justifique qualquer uma das ações que, aparentemente, terá praticado. Não!
Para não o considerar isto irracional, estamos perante um fenómeno difícil de compreender e explicar porque é que os incêndios do verão, na sua grande maioria começam sempre nas zonas centro e/ou sul do território nacional, e depois aparecem no norte, com fúria redobrada, reduzindo a cinzas tudo o que lhes aparece pela frente.
continuação da edição anterior)
Em compensação, havia uma frase que regressava vezes sem conta. «Pode ficar mais um bocadinho?»
Durante muito tempo pensei que aquele pedido nascia do medo da morte. Hoje acredito que nascia, antes de tudo, do amor pela vida. Porque só quem descobriu o valor da presença pede mais presença. Só quem percebeu que o tempo está a terminar compreende que nenhum bem material consegue substituir uma pessoa sentada ao nosso lado.
Foi então que comecei a olhar para o mundo com outros olhos.
Há situações que, por mais voltas que se dê à cabeça, não há forma de fazerem sentido. Algo que, com determinadas decisões políticas, não fazem sentido.
Cada serviço retirado ao Interior é apresentado como uma reorganização. Cada concentração no litoral ou numa capital regional surge embrulhada em palavras como “eficiência”, “modernização” ou “racionalização”. O problema é que, para quem vive no Nordeste Transmontano, essas palavras traduzem-se quase sempre na mesma realidade: percorrer mais quilómetros, esperar mais tempo e receber menos do Estado.
Durante os anos em que fui capelão de uma Unidade de Cuidados Paliativos, houve um objecto que me ensinou mais sobre a vida do que muitos livros de filosofia, psicologia ou teologia. Não era o crucifixo suspenso na parede, nem os monitores que desenhavam no ecrã a fragilidade de um coração, nem os frascos de medicamentos alinhados sobre a mesa de cabeceira. Era uma cadeira.
Vêm aí as benditas férias, assim sentidas, pois há um cansaço que já não vem apenas do trabalho, nem do peso dos dias, nem sequer das horas mal dormidas. É um cansaço mais fundo, mais silencioso e mais perigoso...
É o cansaço de termos passado a viver, quase na plenitude do dia e como exigência da sociedade, como se fôssemos máquinas programadas para produzir, responder, vencer e andar sempre felizes.
QUESTÃO - “…atualizadas as novas regras para pagamento do IUC (vulgo selo do carro) com previsão de entrada em vigor a partir dos anos de 2027 e 2028”
Quem nasce no nordeste profundo brigantino sabe que a vida se rege pelos sinos. No eixo sul, no pé da Serra da Nogueira, a fé caminha em espiral, marcando os meses numa matriz cristã inscrita na alma do povo.
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