Há uma espécie cada vez mais rara na sociedade portuguesa. Chama-se bom senso. E, a julgar pelos acontecimentos das últimas semanas, corre sério risco de extinção.
As manifestações pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, acabaram em cargas policiais, feridos e detenções, enfim, um repasto para as televisões que, sobretudo, no fim de semana, passaram a transmitir as manifestações como se de jogos de futebol se tratasse.
A opinião de ...
Como se a atualidade mundial fosse um mar de rosas, Portugal continuasse a ser o jardim da Europa à beira mar plantado, (mas onde é que isso já vai, minha gente!) sem se saber bem por quem nem com que interesse, saber sabe-se mas, no interesse dos progenitores, a criança continuará a viver sem ter pais certos, por todo o tempo que eles quiserem, mesmo que para tal e por absurdo, só venha a ser registada quando houver para todos casas boas, baratas e de borla.
Só que o mundo não é um mar de rosas, e Portugal já não é um jardim à beira mar plantado.
Ponto prévio: A Igreja Católica tem feito obra reconhecidamente significativa e louvável no domínio social.
Agora, duas breves citações:
1.ª «Os Pilares em Relação aos Desfavorecidos da Doutrina Social da Igreja são os seguintes:
a. Opção preferencial pelos pobres: responsabilidade e cuidado especial para com os que sofrem;
b. Destino universal dos bens: os bens da Terra servem toda a humanidade;
c. Princípio da solidariedade: o compromisso real e contínuo para combater as desigualdades, a exclusão e a pobreza, superando a indiferença;
A sociedade de hoje pede-nos mudança na forma como ensinamos e aprendemos. Não basta dar respostas aos alunos, é preciso ajudá-los a descobrir perguntas, algumas delas mais profundas de sentido, pelas quais valha a pena procurar respostas.
Quem já apanhou castanhas sabe como doem os picos dos ouriços nos dedos. Mas há uma dor maior. Chegar ao fim da campanha, olhar para o trabalho de uma família e perceber que mal dá para pagar as despesas. Este ano, em Bragança, um quilo de castanha chega a ser pago ao produtor entre 1,20 e 1,50 euros, enquanto o preço do gasóleo agrícola ultrapassa os 1,80 euros por litro.
Há pessoas que aprenderam a sofrer sem fazer barulho. Levantam-se de manhã, vão trabalhar, cumprem horários, tratam dos filhos, respondem às mensagens, cuidam dos pais, resolvem problemas e ainda encontram disponibilidade para perguntar aos outros se precisam de alguma coisa. Quando alguém lhes pergunta como estão, sorriem e respondem quase instintivamente: “Estou bem”. E a conversa continua, porque ninguém percebeu que, por detrás daquele «estou bem», havia tanto por dizer.
Há uns anos, ouvir um disco implicava escolher o que queríamos escutar, colocá-lo a tocar e, muitas vezes, sentarmo-nos simplesmente a ouvi-lo. Hoje, temos milhões de músicas à distância de um toque no ecrã. Ouvimo-las no carro, no trabalho, enquanto caminhamos ou fazemos qualquer outra coisa. A música tornou-se uma presença tão constante que, por vezes, deixamos de reparar nela.
Há muito que penso nisto, sobretudo quando observo como nos habituámos a ouvir música através dos pequenos altifalantes dos telemóveis, sem grande preocupação com aquilo que estamos realmente a escutar.
A Europa vive tempos difíceis. Entre guerras, incerteza económica e decisões cada vez mais distantes das pessoas, cresce uma preocupação: que Europa estamos a construir? E haverá lugar para todos?
Enquanto Portugal discute o Orçamento do Estado para 2027, Bruxelas negoceia o orçamento europeu para 2028-2034. Fala-se de defesa, competitividade e milhares de milhões de euros. A presidência irlandesa propôs cortar 141 mil milhões de euros à proposta da Comissão. E a Ucrânia enfrenta necessidades de financiamento ainda por cobrir estimadas em 70 mil milhões para 2027.
Numa altura em que passam 12 meses sobre a tomada de posse dos presidentes de Câmara do distrito de Bragança, o Mensageiro publica uma entrevista exclusiva com a primeira mulher a assumir a presidência da Câmara da capital de distrito.
Isabel Ferreira apresenta-se sem filtros nem tabus, numa primeira parte de entrevista que aborda sobretudo os aspetos mais técnicos, a reorganização do Município, os projetos que já lançou e os que pretende lançar até ao final do mandato.
Uma crise como esta que atualmente se verifica em Portugal, não nasce por acaso nem por geração espontânea.
Stablecer l’outorgrafie dua lhéngua de tradiçon eiminentemente oural eisige cunsiderar até que ponto la scrita debe registrar las subtilezas de l’articulaçon fonética. Ne l causo de l mirandés, esta tenson ye bisible na forma cumo ls testos decuméntan bariaçones ne l sistema bocálico. La presente crónica dedica-se a analizar ls fenómenos de flutuaçon bocálica i eipentese, analizando l lhemite antre la representaçon de l’ouralidade i la simplificaçon ourtográfica.
QUESTÃO-“…acontece com alguma frequência o pagamento por parte das Entidades Empregadoras ou outras, de importâncias sujeitas ao Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares respeitantes a anos anteriores, nomeadamente a trabalhadores por conta de outrem…”
Há pessoas que aprenderam a sofrer sem fazer barulho. Levantam-se de manhã, vão trabalhar, cumprem horários, tratam dos filhos, respondem às mensagens, cuidam dos pais, resolvem problemas e ainda encontram disponibilidade para perguntar aos outros se precisam de alguma coisa. Quando alguém lhes pergunta como estão, sorriem e respondem quase instintivamente: “Estou bem”. E a conversa continua, porque ninguém percebeu que, por detrás daquele «estou bem», havia tanto por dizer.
Há jornais regionais a trabalhar com um único jornalista, enquanto algumas autarquias têm de cinco a nove pessoas nos seus gabinetes de comunicação. A comparação foi feita por Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, no Dia Nacional da Imprensa, a 16 de outubro, em Lisboa, onde estive pelo Mensageiro de Bragança. Ficou-me na cabeça.
Não se trata de um filme de comédia, mas parece. Na semana passada, no Porto, durante a intervenção policial na manifestação de jovens pelo direito à habitação, que aconteceu na noite de 15 de outubro.
Numa reportagem da RTP, que recuperou vídeos gravados pelos próprios manifestantes, há um pormenor que salta à vista. Perante a tensão da intervenção policial, ouvem-se vozes a perguntar pela imprensa. “Onde está a imprensa?”, “quem tem contactos dos media?”
Depois de, nas últimas décadas, a generalidade dos povos terem optado por viver exclusivamente em função das preocupações do seu dia a dia, sem gerir o presente em função do futuro, a continuidade da humanidade acabou por se tornar escrava das suas próprias opções e ficar refém do drama da insegurança e das incertezas que estão à vista de todos, humanidade esta que, mais depressa do que seria de imaginar, esperemos bem que assim não seja, poderá terminar arrasada por uma hecatombe dantesca, de dimensões e consequências nunca sonhadas, que não deixará ficar pedra sobre pedra de tudo o que se
Nos anos de 1967-1968 e parte de 1969, em Coimbra, estudante voluntário, apercebi-me da presença de algumas dezenas de estudantes brasileiros em várias faculdades. Foi um fenómeno que ocorreu igualmente em Lisboa e no Porto. Faço, desde já, uma ressalva: estive indiretamente envolvido no meio estudantil e nas lutas académicas no princípio de 1969. Frequentei, a espaços breves, locais onde a malta se reunia – na Clepsidra, especialmente – e ali escutei, ao fundo do café, estudantes e professores (alguns bem conhecidos) que faziam ouvir a sua voz contra a ditadura e a guerra colonial.
Tivesse Borges (o escritor ou o seu alter-ego) rumado a Pedrouços, na zona ribeirinha de vetusta Lisboa, em vez de se dirigir à rua Garay do bairro Constituición, em Buenos Aires; tivesse procurado a antiga Lota do Peixe da APL, em lugar da residência da falecida Beatriz Viterbo; indagasse por soluções inovadoras para doenças oncológicas e neurodegenerativas ao invés de esquadrinhar a correspondência secreta da mulher amada, com o seu primo Carlos Daneri; espreitasse para o interior do enorme barracão, à beira-Tejo em detrimento do porão por baixo das escadas da sala de jantar… e teria desc
Interrompo a série sobre Educação para escrever sobre o problema do momento: a habitação.
O Estado deixou de promover habitação social a partir dos anos 90. Fez muita entre 1970 e 1990, através dos institutos públicos de habitação e das cooperativas particulares de habitação, que bafejaram imensas famílias.
O convencimento de que a entrada na União Europeia fazia de nós ricos levou a que descurássemos o problema da habitação ao ponto de até o Governo de Durão Barroso acabar com o crédito jovem à habitação, sendo Ministra Manuela Ferreira Leite.
A reconstrução da história de Bragança no século XX esbarra numa muralha, a centralização documental e a fragilidade dos arquivos das instituições locais. Ao finalizar a investigação para o livro “Homenagem póstuma a Dias Parente & Mordomos. Monte de São Bartolomeu a Estância de Turismo de Bragança” (2025), precisei de clarificar a existência, ou não, de transferências de verbas do Estado para as obras do São Bartolomeu.
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