A opinião de ...

Fúria Desmedida

A demagogia é uma das principais armas do populismo radical para se insinuar junto da população para obter a sua confiança e alcandorar-se aos corredores do poder de onde estenderá os tentáculos para destruir as estruturas democráticas, de forma a perpetuar-se fechando a porta de entrada a qualquer outra força que, democraticamente, o queira desalojar. Por isso é necessário desmascará-lo antes que consiga lograr os seus sinistros intentos. O maior problema passa, precisamente, pelo uso de uma arma eficaz, contra a demagogia, a falsidade e até a mentira descarada que é usada sem qualquer regra, moderação ou limite. A única forma (e mesmo essa, que em normais circunstâncias seria suficientemente elucidativa, tem uma eficácia reduzida) passa pela exposição dos resultados conhecidos e verificáveis nos locais onde atingiu a cadeira da governação sendo, não só, mas também, por isso, um farol para as dezenas de movimentos de extrema direita por esse mundo fora: os Estados Unidos da América!
Trump, o maior charlatão dos políticos contemporâneos conseguiu (e ainda vai conseguindo embora, cada vez menos, a crer nas sondagens, valendo estas o que valem) ludibriar os seus apoiantes garantindo-lhe a sua genialidade e forma irrepreensível de intervenção no espaço público. Um dos casos mais emblemáticos é a recente e catastrófica aventura no Golfo Pérsico. O senhor Donald, logo no seu primeiro mandato, garantindo ser o único presidente americano com sabedoria e coragem garantiu que a situação herdada de Obama, no que concerne ao diálogo com o Irão, resolveu rasgar os tratados assinados para enveredar por uma lógica de sanções pois essa era a forma de vergar os persas e obrigá-los a abandonar os trabalhos de enriquecimento de urânio. Durante o consulado de Biden, pouco se adiantou para se sair do buraco onde o anterior inquilino da Casa Branca deixara o relacionamento, minado pela desconfiança. Regressando a Washington para finalmente resolver a situação de forma clara, inteligente, valorosa e definitiva Trump “destruiu” pelas armas todo o complexo nuclear e assim tornar dócil e brando o inimigo para retomar as negociações. Só que este ficou desconfiado, renitente e nada cooperante, recusando-se aceitar a genialidade do líder supremo das américas. Foi então que a brilhante mente iluminada decidiu resolver de vez o problema, mandando matar a elite política e explodir o arsenal militar iraniano. Em menos de três semanas estariam vergados e rendido.
Mas não. Não se ajoelharam, antes pelo contrário, ripostaram e fecharam Ormuz, trazendo o caos ao comércio mundial do petróleo. E de pouco adiantava ameaçá-los da destruição total! Recusavam reconhecer o prodigioso visionarismo trumpiano. Eis se não, quando, o “tio Sam” (re)descobriu as virtualidades das sanções que, quando impostas por Obama eram estúpidas e ineficazes. Mas de pouco serviram.
O fracasso é tal que o inquilino da avenida Pensilvânia, encurralado nas magníficas teias que teceu para apanhar o tolo adversário, está agora tão aflito nas eleições de meio de mandato que, num inédito conclave do seu partido vem prometer cinco mil dólares a cada americano para, de novo, confiarem nele.
Se a sua administração é tão extraordinária quanto o próprio apregoa, a vitória não seria um dado adquirido? Pelos vistos não é…
Também por cá temos seguidores do admirável guru americano. Se não fosse demasiado penoso, demasiado caro, demasiado temerário, demasiado perigoso, quase arriscaria que haveria de valer a pena pô-los à prova no governo da coisa pública.
Em Albufeira a coisa não está a correr nada bem. Em S. Vicente, na Madeira, também não!

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