A opinião de ...

Verdade e vergonha na política, ficavam bem, e a gente agradecia

O espetáculo degradante que a generalidade da classe política, no passado dia oito de setembro, teve a lata e o despudor de oferecer ao país, tanto na audição ao ministro do MAI, como, e muito especialmente, na apresentação, discussão e votação da moção de censura ao governo, foi de um nível tão reles e tão baixo, que devia fazer corar de vergonha, mas para isso era preciso que eles a tivessem, a generalidade dos autores e dos atores desta espécie de comédia bufa levada à cena na casa da democracia.

Só que, da miserável verborreia de baixíssima estirpe, a roçar a ordinarice, do silêncio cobarde, do aproveitamento oportunista e da falta generalizada de preparação de quase todos os atores deste espetáculo, nada mais restou do que a constatação, mais uma vez, da facilidade e da impunidade total com que em Portugal, os craques da Assembleia da República, metem despudoradamente, sem o mínimo de decência e de respeito para com eles próprios, para com os seus adversários e para com a dignidade das instalações que os acolhem.

Esta é a realidade nua e crua, que não há como ignorar ou disfarçar, nem muito menos como branquear, quando os destinos dum país como o nosso estão nas mãos de um bano de mercenários oportunistas, que fazem da atividade política o seu modo de vida e da mentira, e não sou eu, mas são eles próprios que, alto e bom som, o dizem nas bancadas do parlamento, a sua profissão e o seu cartão de apresentação.

Nesta ordem de ideias, esperar desta gente que exerça os seus cargos com dignidade, espírito de missão, transparência e verdade, é o mesmo que acreditar que os lobos, se encontrarem as cancelas abertas, não aproveitam a oportunidade para entrar no curral e, com requintes de malvadez, satisfazer a selvajaria dos seus instintos e a sua gula insaciável, matando indiscriminadamente, sem dó nem piedade, as melhores ovelhas e os melhores cordeiros.

Contudo, e valha-nos ao menos isso, esta situação não é exclusivamente portuguesa e, com maior ou menor acuidade, a sua presença tem-se manifestado, um pouco em toda a parte, desde tempos imemoriais da antiguidade clássica até aos nosso dias, fenómeno este já referido nas obras de Plutarco e sobejamente confirmado nas teorias defendidas por tantas das atuais micro figuras políticas, de dimensão e utilidade mais insignificantes que os pendericalhos dos vulgares porta chaves, cuja única razão de existirem se limita a evitar que as chaves utilizadas no dia a dia das pessoas, se percam nos bolsos ou no fundo das carteiras.

Porque a coisa merece, voltaremos a ela na próxima semana.

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4106

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