Adriano Moreira

A guerra

Talvez a guerra mais ameaçadora em curso seja aquela que foi benignamente chamada “construção de um movimento para a justiça climática”, em que se distinguiram duas organizações não governamentais, a Climate Action Network e a Climate Justiçe Now, cuja arma principal foi pressionar os governos, baseados na conclusão de que “as crises económica, financeira, e climática, estão intimamente ligadas”. Estávamos a viver as inquietações que animaram a Conferência de Copenhague, que decorreu de 7 a 18 de Dezembro de 2009, no quadro da Convenção da ONU sobre as alterações climáticas.


OS REFUGIADOS E OS DIREITOS DO HOMEM

Entre os problemas suscitados pela onda de refugiados que procuram a salvaguarda da vida e do futuro na Europa, levanta-se a questão dos obstáculos existentes quanto à universalização dos Direitos Humanos, tal como consagrados pela ONU. Talvez nem sempre apareça na meditação o facto de que a Declaração da ONU, e os precedentes americanos e franceses, são de origem ocidental, e que aqui está seguramente uma das dificuldades.


A EVOLUÇÃO DA CPLP

Quando, em 1964 e 1966, se realizaram os primeiro e segundo Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, por iniciativa da Sociedade de Geografia de Lisboa, à qual então presidia, sabíamos que a estrutura do Império Euromundista da frente atlântica europeia, esperava já pela certidão de óbito na ONU. Nesta data, sobreviventes a essas iniciativas, existe a Academia Internacional da Cultura Portuguesa em atividade, e a União das Comunidades de Cultura Portuguesa suspensa pelo facto de, em moldes diferentes, o tema ter passado para a orbita governamental.


A nova Ordem

Falar na nova ordem desperta simultaneamente a atenção pessimista para o pousio a que progressivamente parece condenada a ONU, e por outro lado, a esperança de que estadistas ainda ignorados ou mal conhecidos, tenham o talento, até agora perdido, de mobilizar as sociedades civis sacrificadas para uma nova esperança de desenvolvimento sustentado.


As imigrações que buscam a Europa

Não podemos deixar de lembrar o visionário Agostinho da Silva, cujas obras completas estão em publicação, e que depois de ajudar a formar o Brasil Moderno, imaginou uma sementeira de centros culturais ao redor da Terra – Ceuta, Índia, Malaca, Goa, Macau, Brasília. Amarras da cultura portuguesa misegenada pelas distâncias, pelos tempos, pelas políticas.


A DIÁSPORA EM MUDANÇA

Talvez seja de lembrar que há uma relação anterior ao que chamamos lusofonia e diásporas, que é a relação entre conquista e povoamento, submetendo as populações nativas. Para entender a evolução até à entrada neste século XXI, é justo lembrar a doutrina de teólogos e jurista, do que já foi apropriadamente chamado Escola Ibérica da Paz, uma edição preciosa da Universidade de Cantabria (2014) sob a direção de Pedro Calefate, Ramón Emílio Mandado Gutierrez, e um excelente Prefácio de António Augusto Cançado Trindade.


O BRASIL E O DESAFIO DOS EMERGENTES

Foi em 2001, na entrada de um milénio em que todos os conceitos políticos económicos vigentes eram desafiados pela realidade global em mudança, que James O’Neill, investigador do famoso Banco Goldman Sachs, escreveu um artigo intitulado “Building Better Global Economic Brics”, e esta expressão passou a designar “quatro grandes economias emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China”.