Leão XIV – Um Papa para o nosso tempo (2)
Foi com alguma surpresa que, no mês de Maio de 2025, o mundo católico recebeu a notícia de que os cardeais, reunidos no conclave em Roma, para suceder ao papa Francisco, tinham elegido o cardeal norte americano Robert Prévost, e que o mesmo tinha adotado o nome de Leão XIV, eleição que, numa primeira reação, e não há como ignorá-lo, foi recebida com algumas reservas as quais, com o passar do tempo, rapidamente desvaneceram.
Depois do seu primeiro ano de pontificado, pode agora afirmar-se com total garantia que, nos tempos que vivemos, o papa Bento XIV, um homem cerebral, amigo das ciências matemáticas, que leva a sério as missões a que é chamado, dotado com um conhecimento profundo da lei fundamental da igreja, é o papa certo, na hora certa e no local certo para, com o seu carisma imenso e enorme tranquilidade, ajudar a resolver as dificuldades ciclópicas com que o mundo, a igreja católica e o próprio papado serão confrontados.
Exemplo paradigmático, a maneira perfeita e desassombrada como no sermão proferido nas Canárias, na sua recente visita apostólica à Espanha, abordou o drama das migrações, no sermão da despedia, proferido nas Canárias, no qual deu um especial relevo à tragédia das emigrações para a Europa, que continuam a transformar os mares Mediterrâneo e Atlântico em enormes cemitérios, sermão do qual, nos parágrafos a seguir, tentarei transcrever as suas ideias mais relevantes.
“A dignidade humana exige vias legais e seguras, resgate, assistência e cooperação real contra os traficantes, proteção efetiva das vítimas, processos sérios de acolhimento e integração, bem como políticas que permitam a cada pessoa viver com dignidade na sua própria terra.
Neste processo têm responsabilidades decisivas autoridades civis, parlamentos, governos, organizações internacionais, comunidades cristãs e outras religiões, bem como todos os homens de boa vontade. A igreja católica não deve deixar-se interpolar.
O acolhimento do migrante não pode ser algo secundário, nem delegado apenas em alguns voluntários.
Os católicos que ajoelham nos altares para adorar Cristo, não podem depois olhar para o lado perante o drama das migrações.
Que a história nunca tenha de nos acusar de termos voltado as costas à dor dos que sofrem.
A dignidade humana não tem passaporte nem perde o valor ao atravessar as fronteiras.
Não basta gerir as chegadas, fazer estatísticas de números, reforçar as fronteiras e lamentar os mortos. A misericórdia começa com gestos pequenos e quando um migrante é olhado nos olhos como uma pessoa deixa de ser “mais um”.
Não pode (a Europa) proclamar a dignidade humana e normalizar o drama dos migrantes no Atlântico e no Mediterrâneo transformando esses mares em cemitérios sem lápides dos migrantes.
Sobre o problema das migrações, espera-se e exige-se que todos os políticos e toda a sociedade cível façam um urgente e sério exame de consciência”.
