O futuro que queremos e para quando o queremos
Li, esta semana, no jornal Público, uma notícia sobre a existência de 105 cursos superiores em que a taxa de desemprego é superior à média nacional.
Confesso que alguns deles me surpreenderam, sobretudo quando comparados com as médias de entrada para esses mesmos cursos.
De acordo com a notícia do Público, o número de cursos com uma taxa de desemprego entre os seus recém-diplomados superior à média nacional (6,4%) aumentou no ano letivo 2024/2025, citando dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). Por outras palavras, há 105 cursos com uma taxa de desemprego acima dos 6,4%, ou seja, estes ciclos de estudos registaram mais desemprego do que a média nacional do país em 2024 (são mais 25 do que no ano anterior).
No extremo oposto, contam-se 85 cursos em que não há desemprego registado entre os seus recém-diplomados.
De acordo com o Público, a larga maioria dos dez cursos que lideram a lista das dez formações com maior desemprego registado são de politécnicos públicos, com a licenciatura de Animação e Produção Artística no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) a registar a taxa mais alta (17,1%). Da mesma lista de dez formações com desemprego mais alto há ainda outros dois cursos do IPB: são eles as licenciaturas em Educação Social e em Marketing, ambos com uma taxa registada de 10,3%.
Da lista das três formações em que este indicador é mais elevado entre os recém-diplomados surgem ainda as licenciaturas em Artes Digitais e Multimédia na Escola Superior de Artes e Design, no Porto, (13,4%) e de Educação Social na Escola Superior de Educação de Fafe (12%).
Seguem-se cursos de Design de Ambientes, Arte e Design, Arquitetura, Design e Marketing de Moda e também Ciências e Tecnologias da Documentação e Informação.
Já na ponta oposta e sem surpresas, cursos como Engenharia Electrotécnica Marítima ou Medicina e Medicina Dentária, mas também Ciências Farmacêuticas, Fisioterapia, Osteopatia e ainda Enfermagem e Educação Básica figuram como formações sem desemprego registado ou estão próximo disso.
Ou seja, estamos hoje a formar profissionais que depois terão dificuldade em encontrar emprego, sobretudo numa região como o Nordeste Transmontano, onde as oportunidades são ainda mais escassas.
A velocidade a que a tecnologia evolui implica uma grande agilidade de adaptação das instituições de ensino, sobretudo de ensino superior. Está na altura de rever as formações ministradas e pensar naquilo que a realidade exige, agora, não daqui a dez ou 20 anos.
Chegámos ao ponto de um aluno que esteja agora no secundário, estar a escolher um curso que, dentro de cinco anos, quando o terminar, já se ter tornado praticamente obsoleto.
Está na altura de pensar no futuro que queremos para os nossos filhos e para quando o queremos. Porque o tempo não espera.
