Empresas e ciência juntam-se em evento para criar negócios e atrair talento
Aproximar empresas, investigadores e jovens empreendedores para gerar novas ideias de negócio e criar emprego é o objetivo da primeira Semana da Economia e Inovação, que decorre de 27 a 29 de outubro, no Brigantia EcoPark, em Bragança. O programa inclui debates, mostras empresariais e tecnológicas, oportunidades de recrutamento e uma conferência do antigo ministro da Economia Pedro Siza Vieira.
Apresentada esta terça-feira, em conferência de imprensa, a iniciativa integra a estratégia "Bragança Inovadora" e pretende reforçar a ligação entre o conhecimento produzido nas instituições de ensino e investigação e as necessidades das empresas.
A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, rejeita que se trate apenas de uma “reformulação da anterior feira de emprego”, sublinhando que o novo modelo “coloca a economia no centro”.
"O emprego é uma consequência da dinamização económica e das empresas, da inovação, da ciência e da tecnologia, do conhecimento", afirmou. A autarca espera que o encontro permita aos empresários “apresentarem os seus desafios” e “despertar os investigadores para o desenvolvimento de soluções tecnológicas”.
Da iniciativa espera “novas ideias de negócio, parcerias e uma maior participação das empresas em projetos de investigação e desenvolvimento”.
Segundo Isabel Ferreira, Bragança já tem exemplos de empresas que cresceram e chegaram a consórcios internacionais através dessas ligações, mas ainda são poucos face à capacidade instalada no território.
A presidente da Câmara apontou o caso do Pão de Gimonde, associando o seu percurso à visão empresarial e à disponibilidade para estabelecer parcerias de inovação. O objetivo é mostrar a outros empresários que, mesmo numa estrutura de pequena dimensão, é possível desenvolver novos produtos e processos com o apoio de instituições científicas.
Isabel Ferreira reconheceu também os obstáculos enfrentados pelos jovens empreendedores, desde o investimento inicial ao risco de criar um negócio, destacando a importância dos programas de apoio e da participação do IAPMEI no evento. As profissões do futuro e a preparação dos jovens para as transformações do mercado de trabalho estarão igualmente em discussão.
O diretor executivo do Brigantia EcoPark, Jorge Humberto, explicou que a iniciativa pretende criar "um ponto de encontro entre os principais atores do processo de inovação", aproximando quem produz ciência de quem a aplica e leva ao mercado.
Além dos debates, as empresas poderão divulgar oportunidades de emprego e recolher currículos. Os centros de investigação, os laboratórios colaborativos e as empresas participantes apresentarão também resultados do trabalho desenvolvido nos últimos anos.
Para o responsável, a inovação depende da capacidade das organizações para integrar profissionais qualificados e incorporar conhecimento. Ao mesmo tempo, defendeu que os investigadores devem procurar as empresas e conhecer os seus problemas, para que a investigação se traduza em soluções com valor económico.
A cooperação transfronteiriça é outra das apostas, com a intenção de facilitar o acesso das empresas a parceiros espanhóis e colocar o conhecimento produzido em Bragança ao serviço de negócios dos dois lados da fronteira.
A abertura está marcada para as 9h30 de terça-feira, dia 27, com Isabel Ferreira, o reitor da Universidade Politécnica de Bragança, Orlando Rodrigues, e Jorge Humberto. O primeiro dia será dedicado ao impacto do emprego altamente qualificado na economia e à importância da qualificação para a atividade empresarial.
Na quarta-feira, dia 28, o debate centra-se no emprego no setor social. Durante a tarde, estão previstas uma mostra empresarial 3D nas instalações do NERBA e uma demonstração do projeto Silver Jobs, no Brigantia EcoPark.
O último dia, sob o tema "Bragança Inovadora", inclui uma conferência de Pedro Sebastião, do ISCTE, e a mesa-redonda "Do Laboratório ao Mercado: Pontes para a Inovação", com representantes da investigação e de empresas como o Pão de Gimonde, a Bísaro e as Termas de Chaves. Segue-se um debate sobre inovação e cooperação nos territórios transfronteiriços.
Ao final da tarde, a UNIAG apresentará "Bragança Inovadora em números". Antecipando alguns indicadores, Jorge Humberto apontou uma faturação agregada próxima dos mil milhões de euros e cerca de 5500 postos de trabalho nas sociedades do concelho, excluindo o setor social e os empresários em nome individual.
A conferência de Pedro Siza Vieira está marcada para as 18h10, seguindo-se o debate "Empresas que fazem território". Às 19h10, serão reconhecidas as empresas de Bragança distinguidas com o estatuto PME Líder 2025, numa sessão que contará com o presidente do IAPMEI, Nuno Gonçalves.
Durante os três dias, o átrio do Brigantia EcoPark acolherá uma mostra tecnológica e atividades abertas ao público.
