O Passado de Bragança refém de Lisboa
A reconstrução da história de Bragança no século XX esbarra numa muralha, a centralização documental e a fragilidade dos arquivos das instituições locais. Ao finalizar a investigação para o livro “Homenagem póstuma a Dias Parente & Mordomos. Monte de São Bartolomeu a Estância de Turismo de Bragança” (2025), precisei de clarificar a existência, ou não, de transferências de verbas do Estado para as obras do São Bartolomeu.
Convicto de que tais apoios nunca existiram, recorri ao Arquivo Distrital de Bragança (ADBGC) para consultar caixas do antigo Governo Civil (GC), correspondentes aos anos 1940/50. Fui informado de que “o processo de transferência da documentação do GC para o ADBGC não está concluído, sendo da responsabilidade da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI)”.
Apesar de a documentação se encontrar na cidade de Bragança, os trâmites surpreenderam-me, funcionários da SGMAI vieram de propósito de Lisboa, dois dias antes, recolher e levar os registos para a capital, obrigando-me a viajar de avião para fazer a consulta na Rua de São Mamede, nº 23, devido à urgência requerida pela tipografia.
Volvidos 15 anos sobre o Decreto-Lei n.º 114/2011, que extinguiu os Governos Civis, o ADBGC continua de mãos atadas. Sei que não estou sozinho neste empenho, variadíssimos investigadores foram já travados por estes mecanismos. Apelo, por isso, a que outros pares partilhem e relatem os seus episódios, falando a uma só voz.
Urge que a SGMAI conclua a transferência e devolva a Bragança o que é de Bragança, permitindo que a nossa história deixe de estar refém da distância.
