A opinião de ...

Pôr Bragança no mapa

Se fizer uma pesquisa no google sobre Bragança, facilmente chega à conclusão que já existem várias localidades com esse nome no mapa. Duas são no Brasil – Bragança do Pará e Bragança Paulista – e uma outra situa-se na extremidade Nordeste de Portugal continental.
Portanto, quando se fala em pôr Bragança no mapa está a usar-se uma metáfora, ou seja, a fazer uma comparação mas sem usar a partícula comparativa (‘como’). Ao jeito de “tornar Bragança tão relevante como – lá está ela – se fosse um ponto grande e incontornável num mapa”.
Ora, aquilo que o eclipse de ontem fez foi precisamente isso, colocar Bragança como um grande ponto incontornável no mapa.
Porquê? Porque era o único sítio para cá da fronteira espanhola em que o eclipse solar pôde ser observado na sua plenitude. Esse pormenor tornou-se, por si só, um pormaior de relevo.
Resta agora saber se a tinta com que o ponto Bragança ficou assinalado em todos os mapas por estes dias é uma tinta de água, daquelas que saem com a primeira lavagem, ou se, pelo contrário, ficou bem marcado a tinta indelével, daqueles tipos de tinta permanente que não se consegue apagar, eliminar ou destruir facilmente. Resiste ao desgaste físico, à água, à luz solar (raios UV), a variações de temperatura e a produtos químicos...
Nos últimos meses, foi-se sentindo o burburinho, que foi crescendo de intensidade à medida que o 12 de agosto se aproximava.
A curiosidade inicial tornou-se incontrolável e o alojamento esgotou um pouco por toda a região. Todos os jornais, televisões e rádios convergiram a Bragança, fazendo deste um ponto incontornável da atualidade nacional que, por norma, só se lembra deste cantinho quando há catástrofes, quando é preciso ilustrar uma qualquer reportagem televisiva com um velhinho e um burro ou pelas Mães de Bragança.
Mas, desta vez, todos os olhos estavam virados para os céus brigantinos, onde não havia velhinhos com burrinhos ou carroças, não havia catástrofes nem, sequer, Mães de Bragança.
Os telejornais foram preenchidos com horas e horas de conteúdos sobre a região aliados à ciência e conhecimento científico. Bragança foi retratada não como aquela região atrasadinha, sem estradas mas com caminhos de cabras (como dizia um professor de Sociologia que tive na Universidade), sem multibancos nem gente com os dentes todos alinhados.
Sim, meu caro professor Jean Martin Rabot, em Bragança há estradas, há multibancos e até há, pasme-se, conhecimento científico. Esperemos que este ímpeto se aproveite e não esmoreça ao ritmo do eclipse.
Mas se, mesmo assim, isso acontecer, convém ter presente que já no próximo dia 28 há um eclipse parcial da lua, que a 02 de agosto de 2027 há outro eclipse solar, ainda que parcial, e que a 31 de dezembro de 2028 há um eclipse total da lua... “só por causa das cobras”...

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