Por 26 segundos, o dia fez-se noite, os animais recolheram ao ninho e o povo bateu palmas
Durante 26 segundos, o dia fez-se praticamente noite e houve mesmo animais que recolheram ao ninho, pensando que já era hora de recolher. Bragança foi o ponto em que o eclipse solar atingiu a sua visibilidade máxima, chegando aos cem por cento junto à aldeia de Guadramil, perto da fronteira com Espanha, onde dezenas de pessoas, sobretudo cientistas e meios de comunicação social (incluindo o Mensageiro) assistiram ao pleno do eclipse.
No aeródromo de Bragança juntaram-se mais de cinco mil pessoas, de acordo com a estimativa da presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, mas foi uns quilómetros ao lado, em Guadramil, que o fenómeno atingiu toda a sua plenitude. "Alguma vez teríamos de ser os primeiros nalguma coisinha", dizia, orgulhoso, Moisés Preto, habitante desta aldeia do Parque de Montesinho, que aproveitou para ver o eclipse durante o seu passeio habitual de fim de tarde.
Em Bragança, Lourdes Correia, acabada de fazer 91 anos, nunca tinha visto semelhante coisa. Mas viu também as galinhas a recolherem ao ninho. "Quando ficou mais escuro, pensaram que era de noite e foram para o ninho. Quando a luz voltou, já estavam todas recolhidas", contou ao Mensageiro.
A escuridão não foi total. Assemelhou-se a um lusco-fusco, daqueles que antecedem a noite. Mas foi o suficiente para arrancar aplausos. Houve abraços e emoção.
