Vinhais

Vinhais quer candidatar soutos notáveis a Património da Humanidade

Publicado por Glória Lopes em 12-10-2026 17:22

O Município de Vinhais vai começar a preparar a candidatura dos soutos notáveis a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, uma das iniciativas de um naipe de projetos que tem em marcha para valorizar a castanha e o castanheiro, que abrangem toda a fileira desde a cultura até à comercialização, adiantou o presidente da câmara, Luís Fernandes, na passada sexta-feira, durante a apresentação da XXI Edição da Rural Castânea- Festa da Castanha Longal que se realiza entre 23 e 25 de outubro.

A criação de um centro interpretativo e de um viveiro para apurar a estirpe mais genuína da variedade longal são projetos que avançarão e servirão de sustentação à candidatura.

Os projetos estarão em destaque na Rural Castânea que mais uma vez será a maior montra do concelho, para promover as culturas de outono. Desde logo o certame tem como novidade, a introdução do termo longal na designação, para sublinhar a importância desta variedade no concelho, de calibre mais pequeno, mas melhor sabor.

Uma grande aposta da autarquia é a candidatura dos soutos notáveis do Parque Natural de Montesinho a Património Imaterial da Humanidade, que avançará no âmbito da cogestão da área protegida, incluindo o concelho de Bragança. “Para ter uma força maior”, vincou o autarca, Luís Fernandes. O concelho de Vinhais tem 300 hectares de castanheiros notáveis (centenários), inseridos no Parque Natural de Montesinho, mais 100 hectares fora dessa zona, e perto de 10 mil árvores em boas condições.

“A candidatura é para valorizar o que é nosso, pois além da qualidade, o que também marca a identidade deste concelho é a castanha longal, que tem o melhor sabor e por isso queremos dá-la a conhecer e valorizar ainda mais”, explicou o autarca acreditando que se a candidatura for aceite “a castanha terá uma promoção maior e levará o nome de Vinhais mais longe, fazendo com que haja maior atratividade”.

Ainda sem data, a candidatura será para avançar “o mais rapidamente que for possível”, indicou o autarca, mas antes disso será lançado o projeto do Centro Interpretativo da Castanha, a instalar na antiga casa do povo. “Pretendemos ter ali algo já ligado a isso na Feira da Castanha, no exterior, e apresentar uma maquete do que será o projeto”, adiantou Luís Fernandes.

A castanha é a cultura agrícola mais representativa de Vinhais, que produz em média entre 13 e 15 mil toneladas anualmente. A nível económicos resulta em 15 a 25 milhões de euros a circular na economia local.

O presidente da Câmara de Vinhais não quis fazer previsões da campanha deste ano, por ser cedo, uma vez que “está atrasada cerca de duas semanas”, segundo Abel Pereira, presidente da Associação Arborea que fez o ponto da situação atual: “Os ouriços estão bonitos e não se notam problemas sanitários e apenas a campanha da aveleira está a cair, mas tudo pode mudar”, justificou.

O presidente da câmara deu conta que a plantação de castanheiros está “a aumentar significativamente, apesar das alterações climáticas e dos incêndios” que afetaram as zonas de maior predominância desta cultura.

“Os agricultores continuam a apostar na castanha, designadamente na longal, mas não significa que essa variedade domine, por isso queremos apostar e apoiar a longal”, salientou Luís Fernandes que reivindica fontes de financiamento para construir charcas para os municípios e as juntas de freguesia.

“Para terem formas de armazenar água, pelo regadio e por causa dos incêndios”, por forma a fazer face às alterações climáticas.

Atualmente há cerca de 10 mil hectares de soutos em Vinhais. “Há três ou quatro anos eram sete mil”, atestou o autarca.

O município quer ver a plantação de castanheiros renovada, ainda assim reforçou a sensibilização dos agricultores “para a preservação dos soutos centenários, nomeadamente os da castanha longal, para que se valorize mais esta variedade que é autóctone do concelho”.

O projeto do viveiro poderá iniciar em breve. Um dos locais na mira do município para a sua instalação é o Parque Biológico. Inicialmente fez-se a seleção de alguns castanheiros da variedade longal para retirar enxertias e fazer novas plantações.

“O primeiro passo é ter 70 plantas enxertadas de várias freguesias do concelho e o segundo passo é tentar, através da biologia molecular, detetar as diferenças entre cada uma delas e ver qual é a verdadeira castanha longal de Vinhais. Para ter uma castanha típica de cá”, descreveu Abel Pereira.

O presidente da Câmara antecipa que no futuro o viveiro “ pode servir para fornecer castanheiros para os agricultores plantarem”.

Em Vinhais luta-se para mudar o estatuto da castanha de fruto seco para fruto verde. A Assembleia Municipal aprovou uma moção nesse sentido, uma vez que a maioria é vendida em fresco e para o mercado externo, mas devido a temperaturas elevadas durante o transporte corre o risco de se estragar. Abel Pereira ressalva que fundamental “arranjar uma solução” de armazenagem em câmaras de frio. Ainda assim, admite que alterar o estatuto da castanha para fruto fresco “é mais complicado” e que pode ser “um caminho, mas não é o mais fácil”.

Durante a feira vai ser inaugurado o Trilho da Castanha Longal, “um percurso de 17 quilómetros, adiantou Miguel Fernandes, diretor do Parque Biológico. Começa em Vinhais e passa em várias aldeias.

Entretanto, o município começa a olhar para outra cultura leva o olival e pela primeira vez dedica-lhe umas jornadas técnicas.

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