O que perde uma comunidade quando perde o seu jornal?
Há jornais regionais a trabalhar com um único jornalista, enquanto algumas autarquias têm de cinco a nove pessoas nos seus gabinetes de comunicação. A comparação foi feita por Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, no Dia Nacional da Imprensa, a 16 de outubro, em Lisboa, onde estive pelo Mensageiro de Bragança. Ficou-me na cabeça.
Claro que a comunicação das autarquias é legítima e importante. As instituições precisam de explicar o que fazem. Mas esse trabalho não substitui o jornalismo. Ao jornal cabe ouvir outras pessoas, fazer perguntas e acompanhar o que acontece depois dos anúncios.
Foi o que fizemos, por exemplo, quando se falou em retirar do distrito de Bragança o helicóptero do INEM: acompanhámos o que foi sendo dito e perguntámos o que acontece depois de 2030. Não ficámos pelo anúncio.
Nesse encontro, Francisco Pedro Balsemão lembrou o pai para defender que não há independência jornalística sem independência económica. Ao fim de quase 15 anos ligado à imprensa regional, compreendo bem esta preocupação. Quem conhece as contas de um jornal sabe o esforço que exige continuar a publicá-lo todas as semanas.
Mas também temos de olhar para o que fazemos. Se o jornal se limita a reproduzir comunicados, porque há de alguém comprá-lo? Temos de procurar assuntos, ir ao terreno e dar razões aos leitores para continuarem connosco.
Em novembro de 2022, a D. Maria Cândida, de Pinela, foi à sede do Mensageiro tornar-se assinante aos 95 anos. Eu estava lá. Fotografei-a com o jornal nas mãos e deixou-nos uma frase: «Desistir não é solução enquanto houver caminho para percorrer». É por leitores como ela que vale a pena continuar.
Porque, afinal, quem acompanha a vida de uma terra se o seu jornal deixar de existir?
