A opinião de ...

Nacional nº218, Carção-Vimioso, a estrada da maldição

Será desta?
Como em na vida, também para ser uma estrada igual às outras é preciso ter sorte. Não sabiam?
Pois bem, para quem duvidar, aconselho que passe uma vista de olhos pelo calvário de mais de um século em que transformaram, ou se transformou a já longa vida atribulada do troço da estrada Nº 218, que liga Carção a Vimioso.
Depois de tantas promessas não cumpridas, de tanta demagogia, de tanta verborreia, de tantas bocas, de tantos avanços e recuos, e sobretudo pelos palpites atirados para fora da boca por quem nunca teve o mínimo conhecimento do que estava a dizer, ter tentado passar a certeza de que “agora é que é”, acabando sempre por continuar tudo na mesma, porque, como soe dizer-se, “Gato escaldado da água fria tem medo”, chegados que estamos ao mês de agosto, do ano da graça de 2026, a única certeza que nos resta, é que a obra não está concluída, nem ninguém sabe se e quando estará, se é que algum dia possa estar.
No meio de toda esta infindável tragicomédia, vem à memória a inteligência, a lucidez e o sentido prático da pequena ninhada dos ratinhos da “raça cabrera”, que foram descobertos a viver num troço de estrada que, com passagem por Pinelo, liga Outeiro a Vimioso, os quais, para garantirem a continuidade da sua espécie, saíram das suas tocas e estrategicamente se aliaram com o supra sumo duma classe de ecologistas, de créditos confirmados no estudo da muridologia e ciências afins e que, para continuarem a viver em paz e sossego até ao fim dos seus dias, conseguiram mudar o transito de Outeiro para Vimioso e vice versa, agora com passagem por Argoselo e Carção.
Ao que consta, de acordo com o que alguém responsável, ainda que com alguma reserva, me confirmou, tudo indica que, no decorrer deste mês de agosto, a empreitada da construção do troço da nacional 218 entre Vimioso e Carção e respetivas obras de arte, depois da reavaliação dos custos, irá de novo a concurso, agora com uma base de licitação a rondar os quarenta e cinco milhões de euros.
Resta agora pedir a todos os santinhos da nossa devoção que façam aparecer a concurso uma empresas de construção com capacidade para fazer as obras de acordo com a calendarização e os prazos constantes no respetivo caderno de encargos.
Sem pretender ser profeta da desgraça, ponho algumas reservas que assim seja mas, porque a esperança é a última coisa a morrer e está mais que esgotado o tempo e a paciência das pessoas para consentirem que esta obra continue a ser boicotada, utilizada como castigo, como vingança, como disfarce de incompetência, vamos acreditar que, de uma vez porto todas, irá ser posto fim a este processo lamentável, cuja demora, e é preciso gritá-lo com todas as letras, já cheira tão mal que até tresanda.
As gentes destas terras precisam e, em tempo oportuno, reconhecidamente saberão agradecer.

Edição
4099

Oferta para Assinantes

Cartão Moeve