A opinião de ...

Acidentes rodoviários e incêndios, duas caras da mesma selvajaria à solta - 2

“Mutatis muntandis”, no que, concretamente, diz respeito aos acidentes rodoviários e ao drama dos incêndios, as coisas têm tanto em comum, que até parece que foram tiradas a papel químico.
Salvo pequenos pormenores, são mais as semelhanças que unem do que as diferenças que separam estes dois tipos de criminosos à solta, disseminados um pouco por todo o país, com especial concentração em centros populacionais como o do Porto , de Lisboa e do Vale do Tejo, onde, por razões óbvias, se sentem como peixes na água.
Bem vistas as coisas, não há nada que justifique e é difícil de entender tanto o à vontade como a impunidade escandalosa com que uns e outros se movem no meio da sociedade que os acolhe, na medida em que, enquanto os motoristas se pavoneiam à luz do dia de cara destapa, como se o mundo parasse para lhes bater palmas, e admirar o brilho das sua máquinas e das suas habilidades, bem pelo contrário, os incendiários, na maior parte dos casos, com medo de serem identificados, agem cobardemente às escondidas, de cara tapada e a coberto da escuridão da noite.
Mesmo assim, atendendo a tudo o que foi publicado na edição da semana passada deste jornal, sobre a maneira de agir de uns e de outros, sem que nada tivesse sido feito para reverter a situação caótica em que se encontram a prevenção e o combate a toda a classe de incêndios, sem que nada tivesse sido feito para os evitar, tudo o que possa dizer-se sobre esse assunto será sempre igual a nada, sejam eles urbanos ou rurais, as suas causas e efeitos são sempre as mesmas.
Ano após ano, com a chegada dos primeiros dias de calor, quer se trate dum incêndio de pequena, média ou grande dimensão, ou da simples queimada de um pequeno molho de silvas na borda dum caminho, ou no meio de um qualquer terreno inculto, abandonado há muitos anos pelos seu dono para que, como por encanto, apareçam do nada as pegas e os papagaios do costume, a palrarem as mesmas idiotices e a mesma lenga- lenga de sempre, a dar palpites anedóticos e a dizer cobras e lagartos sobre tudo e sobre o seu contrário.
Face à complexidade e dimensão, cada vez maior e mais perigosa dos incêndios florestais, sem a formação, a sensibilização e o envolvimento total das populações locais que, por mais pessoas e meios que se mobilizem para apagar os fogos no verão, enquanto houver casas, florestas e armazéns chineses, e não só, para arder, e os incendiários não forem severamente punidos, conforme a dimensão dos danos causados às pessoas e aos seus bens, por mais dinheiro que se invista no combate a esta praga, o resultado será sempre igual a zero.
Assim, se ao estado faltam meios para fazer frente à ação criminosa dos incendiários, e o sistema prisional não tem capacidade nem interesse em os receber nas suas instalações, a solução é fácil e eficiente, bastando para isso coloca-los nas mãos dos lesados pela sua atividade criminosa que eles, gostem ou não, saberão tratar-lhes da saúde melhor do que ninguém.

Edição
4098

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