Bragança entre os distritos com salários mais baixos
Bragança é o terceiro distrito do país com os salários mais baixos, com um valor médio declarado de 1302,99 euros. Com ordenados inferiores só os trabalhadores dos distritos de Beja (1271,30) e Portalegre (1299,77). Em Vila Real o salário médio anda pelos 1304,27 euros e na Guarda pelos 1304,89.
Segundo as conta da Randstad, trabalhar em Lisboa vale, em média, 493,7 euros mais por mês do que em Bragança. “O interior de Portugal continua a lutar contra um 'teto salarial' que não chega aos 1300 €, enquanto a capital dispara para perto dos 1800 €”, conferiu aquela organização.
Os dados das remunerações declaradas ao IEFP mostram um mapa de desigualdade económica onde o "prémio salarial" está ligado à natureza do setor de atividade, existindo um fosso remuneratório de 525 € mensais entre quem trabalha na capital e quem trabalha no Baixo Alentejo ou de pouco mais de 493 euros em Trás-os-Montes.
“A liderança de Lisboa e Setúbal reflete a concentração de centros de decisão, serviços financeiros e indústrias tecnológicas de alto valor acrescentado. O facto de o Porto ocupar a terceira posição confirma a força do cluster industrial do Norte, mas ainda assim com uma diferença de mais de 230 € face à capital”, sublinha a Randstad.
A diferença salarial é uma realidade que muitos transmontanos sentem na pele, o que os leva a emigrar ou a procurar outras zonas do país. “Vivo na área da grande Lisboa, porque foi lá que consegui emprego num escritório de uma empresa de construção. Ganha-se mais do que em Bragança e o custo de vida a nível de compras alimentação e vestuário é idêntico, ou até mais baixo porque há mais oferta. Só que nos últimos anos o custo da habitação em Lisboa disparou e isso dificulta a vida. Antigamente compensava mais”, contou Ana Pires ao Mensageiro.
O cenário mais preocupante revela-se no interior e no Alentejo (Beja e Portalegre), Bragança, Guarda, Vila Real. Estes distritos não só têm as remunerações mais baixas, como apresentam uma estrutura salarial que parece imune à dinâmica de crescimento dos grandes centros. “Esta diferença de mais de 500 € entre Lisboa e Beja é um motor primário para a fuga de talentos e para a desertificação do interior: um profissional qualificado tem um incentivo financeiro para se deslocar 200 km para o litoral” acrescentam.
Lisboa é a única região que consegue romper significativamente a barreira dos 1.400 € líquidos. A diferença para o Algarve é de 292 € mensais. Um profissional em Lisboa recebe, em termos líquidos, o equivalente a quase mais 3 meses de salário por ano do que um trabalhador no Algarve.
