O crescimento das cidades em altura
Durante séculos, os elevadores foram engenhos rudimentares, pouco seguros e reservados para usos muito específicos. Graças a Elisha Otis (1811-1861) esta realidade mudou drasticamente.
A grande inovação de Otis não foi o elevador, mas o sistema de segurança que inventou em 1853. Até então havia um receio evidente: se o cabo que sustenta a cabine se partisse esta entraria em queda livre, isto é, cairia apenas sob a ação da força gravítica. Em Física, significa que a velocidade iria aumentar rapidamente durante a queda, tornando o impacto inevitavelmente fatal.
Otis criou um dispositivo automático com travões dentados que bloqueavam imediatamente a cabine nas guias laterais, caso o cabo que a sustenta perdesse tensão. Este mecanismo simples e engenhoso levou a que, em vez de acelerar, a cabine do elevador fosse travada de imediato. O momento mais célebre desta invenção ocorreu em 1854, numa exposição em Nova Iorque. Perante uma plateia incrédula, Otis subiu a um estrado, colocado muito acima do solo e ordenou que o cabo, que a suportava, fosse cortado. O público, estupefacto, verificou que o estrado caiu alguns centímetros, mas ficou suspenso. “All safe, gentlemen”, apregoou Otis. Esta demonstração foi também uma aula prática de Física pois ao impedir a queda, o sistema opunha-se à aceleração causada pela gravidade.
Para se perceber a importância desta inovação, basta imaginar uma queda livre de cerca de 7 andares, o equivalente a aproximadamente 21 metros. Se ignorarmos o atrito do ar, um corpo que cai desta altura, atinge o solo com uma velocidade próxima de 74 km/h. Nenhuma pessoa resistiria a um impacto destes. Por isso, evitar esta desaceleração, de 74 para 0 km/h era fundamental.
Hoje, os cabos dos elevadores são feitos de aço entrelaçado, um material muito resistente à tração. Além disso, os sistemas de segurança contam com vários dispositivos autónomos, como cabos, limitadores de velocidade que ativam travões de emergência se a cabine descer muito depressa, travões mecânicos independentes do cabo principal e sistemas eletrónicos de controlo contínuo.
Realço agora a revolução urbanística que adveio desta invenção. Antes do elevador, os andares mais baixos de um edifício eram os mais desejados dado que evitavam longas e cansativas subidas a pé. Com a introdução do elevador passaram a ser os últimos andares os mais valorizados, pela vista, luminosidade e afastamento do bulício da rua.
Esta mudança permitiu às cidades crescerem em altura, em vez de se expandirem horizontalmente. Isto fomentou a utilização mais eficiente do solo urbano, reduziu as deslocações, o consumo de energia e as emissões de gases poluentes. Assim, um equipamento como o elevador contribuiu para que as cidades sejam mais sustentáveis.
Ao tornar seguro, fácil e sem esforço, o ato de subir nos prédios, Otis não inventou apenas um mecanismo, dado que mudou a forma como habitamos o espaço urbano.
As cidades modernas, verticais e densas são também consequência do momento em que um cabo foi cortado e nada caiu.
