Concelho está a crescer mais depressa do que o país mas precisa de aproveitar melhor os recursos naturais
Bragança está a crescer em população, emprego e atividade económica a um ritmo superior ao do país, mas precisa de aproveitar melhor os seus recursos naturais e diversificar a economia para consolidar esse crescimento. A análise é do antigo ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, que participou no encerramento da primeira Semana da Economia e Inovação, realizada no Brigantia Ecopark.
"Vejo as potencialidades de uma cidade que se transformou num polo sub-regional, que está a crescer em população, está a crescer em emprego, está a crescer economicamente mais depressa que o resto do país e, portanto, é uma terra de oportunidade", afirmou ao Mensageiro de Bragança.
O antigo governante considera que a região dispõe de condições para atrair mais investimento, destacando a capacidade e a vontade de empresários e autarcas para transformar as oportunidades em novos projetos.
Uma das áreas com maior potencial é o turismo, nomeadamente através da valorização do património natural, que Siza Vieira entende não dever constituir um obstáculo à atividade económica.
"É preciso que se permita que as comunidades, que as empresas possam trazer visitantes, valorizar os produtos endógenos, transformar aquilo que a natureza nos deixou em valor para o mercado", defendeu.
O antigo ministro sustentou que a preservação dos espaços naturais deve ser conciliada com o desenvolvimento económico, lembrando que a própria paisagem resulta, em grande medida, da intervenção humana.
"Temos que o continuar a trabalhar, temos que o continuar a valorizar, não é deixar tudo parado", afirmou.
Além do turismo, Siza Vieira defendeu o reforço da indústria e dos serviços, considerando que a diversificação económica é essencial para criar riqueza e emprego na região.
A primeira Semana da Economia e Inovação, promovida pelo Município de Bragança, terminou com um balanço positivo da organização, sobretudo pela adesão dos empresários e pela participação nos debates.
O diretor do Brigantia Ecopark, Jorge Humberto, destacou a sala cheia no último dia, dedicado à inovação, e a discussão gerada nas sessões sobre emprego e qualificação profissional.
"Era colocar em confronto quem emprega, quem qualifica e quem trabalha. Foi extremamente positivo", considerou.
Um dos problemas que mais marcou os debates foi a dificuldade das instituições do setor social em encontrar trabalhadores, tema que motivou uma discussão particularmente participada.
"A mesa foi tão dinâmica que nem houve a pausa prevista", revelou.
Financiamento e burocracia em próximas edições
Apesar da adesão registada, Jorge Humberto reconheceu que a iniciativa deixou questões importantes por aprofundar, nomeadamente o acesso das empresas ao financiamento, a burocracia e a simplificação dos procedimentos administrativos. "Temos de falar de financiamento, otimização da burocracia, simplificação dos processos", apontou. O responsável pretende ainda reforçar a ligação entre os centros de investigação e as empresas, para que o conhecimento científico se traduza mais facilmente em inovação e oportunidades de negócio.
Outro dos desafios passa por atrair mais jovens aos debates e melhorar alguns aspetos organizativos, como os horários e a utilização dos espaços.
"Na globalidade, creio que correu bem. Os desafios serão bem maiores nas próximas edições", admitiu.
