Quem estiver limpo de culpa, atire a primeira pedra
Como se a atualidade mundial fosse um mar de rosas, Portugal continuasse a ser o jardim da Europa à beira mar plantado, (mas onde é que isso já vai, minha gente!) sem se saber bem por quem nem com que interesse, saber sabe-se mas, no interesse dos progenitores, a criança continuará a viver sem ter pais certos, por todo o tempo que eles quiserem, mesmo que para tal e por absurdo, só venha a ser registada quando houver para todos casas boas, baratas e de borla.
Só que o mundo não é um mar de rosas, e Portugal já não é um jardim à beira mar plantado.
As casas não se constroem sem meios os que as têm, e com todo o direito, chama-lhes suas. Ou será que não podem?
O dinheiro dos contribuintes não dá para tudo, e as casas também não crescem do nada, por mais que se levantem os braços nas votações das assembleias, ditas democráticas e populares, assembleias essas não raro manipuladas em função dos interesses das novas classes emergentes de profissionais das manifestações noturnas, realizadas nas praças públicas, de legalidade duvidosa.
Sem esquecer que numa democracia adulta e consagrada como a nossa, ninguém pode por em causa o legítimo direito de manifestação consagrado na Constituição, também é preciso lembrar a todos que, para defesa deste princípio e salvaguarda da credibilidade de quem o exerce, esse desiderato, para ser alcançado em toda a sua plenitude, terá forçosamente de estar associado à obrigação do respeito pelos direitos dos outros, e sem nunca esquecer que, como em tudo na vida, há regras para cumprir e linhas vermelhas para respeitar.
Uma vez que, num processo extremamente complexo como este, ninguém está limpo de culpas, antes que já seja tarde e que o povo, cansado do espetáculo indecoroso que foi montado à volta da crise indisfarçável da falta de habitações dignas e acessíveis para todos, perca a paciências e algum resto de consideração pelos políticos e pela política, está na hora de todos os responsáveis por esta crise, se deixem de demagogias baratas, metam a mão na consciência, assentem os pés na terra e pararem para pensar e fazer contas, dando prioridade à resolução do que for mais importante, urgente, e possível de ser feito, com todo o respeito pelas opiniões e pela dignidade de dos outros.
Espetáculos vergonhosos como o que foi provocado pelo rebentamento dum petardo na praça do Rossio na semana passada, nunca levaram nem levarão não são mais que um ato vergonhoso e indesculpável, tanto de quem o perpetrou, como de quem dele se aproveitou para, criminosamente achincalhar o trabalho, a honra e a dignidade de todos os elementos da PSP, crime a exigir , no mínimo, um pedido formal e urgente de desculpas públicas da parte de todos aqueles, e foram mais do que se pode imaginar, que se aproveitaram desta ocorrência miserável, vergonhosa e altamente condenável para, mais uma vez, conspurcar e desacreditar a dignidade, a dedicação, a competência e o espírito de missão das nossas forças de segurança.
