A opinião de ...

Ciência Cidadã

O município de Oeiras tem, nesta altura, no âmbito do Programa “Ciência + Cidadã” mais de uma dezena de projetos de cariz científico onde várias centenas de munícipes se juntam a uma trintena de investigadores para os levar a cabo, cumprindo integralmente as exigentes e rigorosas metodologias impostas para lhes conferir validade. Só assim é possível validar os resultados e usá-los, como vai acontecendo, de base a publicações em revistas da especialidade, depois de revistos pelos pares, bem como dar suporte a teses de mestrado e outras.
Neste sábado, dia 21, foi concluída uma dessas iniciativas depois de atingido o objetivo de caracterizar os microrganismos que habitam no intestino dos diferentes componentes de várias famílias, com o objetivo de, identificando-os, demonstrar a característica única de cada um mesmo que englobados, genericamente num grupo de normalidade expectável, mas, também, poder revelar algum componente a merecer especial atenção ou exames complementares (como aliás aconteceu).
Para além deste objetivo, imediato, e completamente conseguido, outro há, mais importante e de relevo como, aliás, foi devidamente evidenciado pelo vereador municipal, Pedro Patacho, com o pelouro da Ciência e Inovação (áreas reconhecidamente da competência da administração central mas a que a edilidade oeirense, em boa hora, decidiu dar especial atenção e investimento municipal). O responsável autárquico, louvando a iniciativa, levada a cabo por reputados cientistas da Gulbenkian, da Universidade Nova e da Faculdade de Medicina da Católica e liderada pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica, lembrou aos presentes a importância de fomentar na sociedade civil a metodologia científica, sempre, mas sobretudo nos tempos correntes onde o negacionismo, o obscurantismo, a desinformação e o reacionarismo retrógrado e populista ganha terreno.
Mesmo no tempo pós-Covid em que uma pandemia idêntica a outras que, no passado ceifaram dezenas de milhões de vidas, foi contida com recurso à Ciência e à aplicação massiva de vacinas desenvolvidas em tempo record, continuam a proliferar teorias conspirativas e medram pretensas terapias geradas e recriadas com base em conjeturas obscurantistas de tempos medievais. A Ciência e a confiança nos seus vários agentes e métodos é a arma mais eficaz (quiçá a única verdadeiramente capaz) contra o medo e a demagogia dos modernos charlatães, arautos de amanhãs radiosos que, em tempos idos, apenas conduziram a noites escuras e frias.
Os cientistas podem não nos dizer tudo quanto nos espera para lá dos limiares do conhecimento, porém apontam-nos um caminho seguro e verdadeiro. Já os vendedores de banha da cobra, manipuladores e apavoradores apenas exploram caminhos de retrocesso que a história já demonstrou aonde conduzem e de onde era suposto termos saído para não mais regressar nem, tão pouco, nos aproximarmos.
Saudando a iniciativa da Câmara de Oeiras é justo homenagear quem, no nordeste, a seu tempo, igualmente deu relevo a estes ideais, concretamente, os antigos edis, Artur Pimentel e Jorge Nunes, na expetativa que, de novo, venham a ganhar importância no nosso torrão nordestino.

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4077

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