CIM Terras de Trás-os-Montes diz que deslocalização do helicóptero do INEM “não passará”
Ao Mensageiro, e já em declarações anteriores a este esclarecimento de Ana Paula Martins, o presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), Pedro Lima, garantiu que os autarcas da região não aceitarão uma eventual deslocalização do helicóptero de emergência médica do INEM
A CIM decidiu enviar uma carta ao Ministério da Saúde e à direção do Instituto Nacional de Emergência Médica, manifestando uma posição que Pedro Lima considera “inequívoca” e transversal a todo o território transmontano.
“Esta posição não separa ninguém. Une todos os transmontanos”, afirmou o também presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, defendendo que a transferência do meio aéreo para o litoral não teria qualquer justificação operacional.
“Qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que não faz sentido deslocalizarmos um helicóptero de Macedo de Cavaleiros para o Porto. Ficava logo com meio raio de ação, porque no mar não vai salvar ninguém”, declarou.
Pedro Lima assegurou que a região não permitirá que uma eventual reorganização dos meios de emergência médica seja concretizada à custa do Nordeste Transmontano. “Não podemos, de forma alguma, permitir que este pensamento passe. Isto não passará”, vincou.
O autarca manifestou também preocupação com as notícias relativas a uma possível retirada de outros meios de emergência do distrito, nomeadamente uma das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida. Recordou ainda a posição pública de antigos presidentes do INEM contra alterações que possam fragilizar a resposta às populações do interior.
Para o presidente da CIM, o distrito de Bragança tem sido alvo, ao longo de décadas, de um processo continuado de desinvestimento na área da saúde, enquanto outros territórios foram beneficiados pelas opções da tutela.
“Bragança tem sido, de forma continuada, objeto de desinvestimento há tempo demais. São décadas em que outros, nomeadamente Vila Real, se tornaram centros hospitalares de referência porque a tutela assim o quis, e Bragança não pôde ser”, criticou.
Pedro Lima defendeu, por isso, uma maior união entre os autarcas e a definição de uma estratégia conjunta para a saúde no Nordeste Transmontano, capaz de estabelecer as “linhas vermelhas” que a região não está disposta a ultrapassar.
“A retirada de quaisquer serviços está completamente fora de questão. Não pode ser aceite, nem sequer pode ser admissível. Podemos não ter os números de outros territórios, mas basta haver um português para que tenha os mesmos direitos de todos os outros”, sublinhou.
O responsável lembrou que as populações do Nordeste Transmontano já enfrentam dificuldades acrescidas devido às distâncias, à insuficiência das ligações rodoviárias e à dispersão geográfica, fatores que condicionam o acesso aos cuidados de saúde.
“Já somos bastante sacrificados ao nível da rodovia, que também é um meio de acesso ao sistema de saúde. Estando já numa posição deficitária, não podemos pensar em retirar serviços. Temos é de capacitar ainda mais aquilo que existe”, defendeu.
Pedro Lima destacou igualmente as especificidades demográficas da região, nomeadamente o elevado envelhecimento da população, que implica patologias e necessidades assistenciais diferentes das existentes no litoral.
“Temos tipologias diferentes, desde logo devido ao envelhecimento, que traz patologias específicas e exige uma capacitação muito destacada do nosso território”, observou.
O presidente da CIM admitiu ainda que, perante argumentos de natureza económica para justificar o encerramento ou a transferência de serviços, a região deve reivindicar uma maior participação nas receitas geradas no território, nomeadamente através da produção de energia.
“Se a desculpa é economicista, nós produzimos em demasia para nós próprios, sobretudo energia, que tem uma procura elevada e um preço elevado. Se a derrama desses impostos ficasse no território, teríamos capacidade para desenvolver as nossas próprias políticas de saúde”, afirmou.
Pedro Lima considera, por isso, urgente definir uma estratégia regional que reúna os municípios em torno da defesa e do reforço dos serviços existentes.
“É tempo de os autarcas se unirem e de definirmos uma estratégia para a saúde. Sinto que estamos todos em torno deste objetivo”, concluiu.
