A região que queremos
Nos últimos tempos, tem havido diversos debates sobre aspetos diferentes de projetos que serviriam a região. Desde aspetos da saúde (ainda a questão dos helicópteros), passando pela mobilidade (ligações a Espanha, sendo rodoviária até à Puebla de Sanábria, seja por via férrea até Zamora), pelo regadio, agricultura, gestão das florestas, etc.
A questão é que há muito deixou de se ouvir uma voz em uníssono, dos vários responsáveis políticos da região, nomeadamente autarcas.
Cada um vai dando conta publicamente dos males que os afligem e aos respetivos concelhos, mas faa falta uma voz que congregue todas as outras.
Uma voz que se silenciou com o fim dos Governos Civis, em 2012.
De então para cá, o poder da união desmultiplicou-se e, com isso, a região foi perdendo força reivindicativa junto de quem manda.
Lembro-me, por exemplo, da luta pela requalificação da Estrada Nacional 308-3, no concelho de Bragança (que foi executada), da luta contra a lei dos poços, da luta contra o encerramento da maternidade de Mirandela, só para referir três casos e não ir muito atrás no tempo.
Mesmo quando as populações se uniram contra a tentativa de retirada do helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros em 2012, numa altura em que já não havia Governador Civil no distrito, os autarcas uniram-se a uma voz, nomearam um representante (Aires Ferreira) que encabeçou as tomadas públicas de posição.
Neste momento, o órgão mais colegial que temos a representar-nos são as Comunidades Intermunicipais e, mesmo essas, estão divididas pelo território. Se a das Terras de Trás-os-Montes tem apenas nove municípios, a sua congénere vizinha tem 19, de territórios tão distantes como Freixo de Espada à Cinta ou Lamego.
Isso torna mais difícil e espinhosa a missão de congregar vontades e reivindicações.
Por cá, a CIM TTM, sob a batura de Pedro Lima, autarca de Vila Flor, procura alinhar uma estratégia comum em diversas áreas, a começar pela da Saúde, por exemplo.
Uma tarefa que não se afigura fácil mas que, com o contributo e o apoio de todos, pode fazer muito pela região.
Falta é replicar isso noutras áreas estratégicas para a região como a mobilidade, por exemplo, que poderia ajudar a desencravar de vez o Nordeste Transmontano.
E desencravar é a palavra pois é encravados que estamos entre o litoral português e os grandes centros de Espanha, esquecidos no meio das paisagens.
A união faz a força e uma só voz é mais depressa ouvida que muitas vozes em simultâneo.
Façam a experiência e vão a um café. Quanto mais frequentadores a falar, mais ruído se ouve e menos percetível fica a mensagem.
