A opinião de ...

Golpe de asa

Na Assembleia Municipal de Bragança, da passada quinta-feira, o assunto das chefias intermédias do município voltou a vir à baila.
O executivo liderado por Isabel Ferreira propôs à Assembleia novos critérios para a seleção de elementos para as chefias de terceiro grau e inferiores.
Na prática, a única diferença é a retirada da expressão "efetivos de serviço" que restringia a trabalhadores do município a possibilidade de serem recrutados para essas funções. Essa restrição foi considerada inconstitucional pela CCDR-N, em parecer enviado anteriormente à autarquia.
A proposta foi aprovada, como se pode ler na página 12, com apenas um voto contra, da Iniciativa Liberal, e a abstenção dos elementos do PSD.
Na prática, o que esta deliberação da Assembleia Municipal vem fazer é revogar a deliberação anterior, de 2018.
Ora, se esta decisão de agora vem revogar os critérios anteriores, aprovados em 2018, significa que, implicitamente, os membros da Assembleia estão a concordar que esses mesmos critérios estiveram em vigor até agora, momento em que foram revogados. Com isso, a Assembleia Municipal de Bragança veio ratificar a posição de Isabel Ferreira.

Entretanto, continua o filme em torno do helicóptero do INEM.
O deputado do PSD eleito por Bragança, Hernâni Dias, veio dizer que as notícias da possível saída deste meio aéreo "são falsas" e que "não há nem nunca houve" intenção de o deslocalizar de Macedo de Cavaleiros para o hospital de S. João, no Porto.
Mas o que é facto é que foi a própria Ministra da Saúde a abordar o assunto no Parlamento, a ler um documento, pelo que não falou de improviso.
E Ana Paula Martins anunciou mesmo a saída dos helicópteros do interior para o litoral a partir de 2030, altura em que pretende ver concluída a "refundação do INEM".
Isso são factos, como podem ver no vídeo publicado no site do Mensageiro, não são suposições.
O próprio INEM veio emitir um comunicado, supostamente para deitar água na fervura, garantindo que "o contrato em vigor até 2030 será cumprido". Mas, ao fazê-lo, está a deixar aberta a porta a mexidas para lá de 2030, porque foi apenas com essa data que o INEM se comprometeu. Tal como tinha dito a Ministra no Parlamento.
E o arranque do novo concurso público internacional para os meios aéreos de emergência médica começa em 2028.
Olhar para estes factos e não querer ver o que estes nos dizem é fazer como a avestruz que enfia a cabeça na areia para não ver os perigos que a rodeiam e não se assustar. Não sejamos avestruzes.

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