Nordeste Transmontano

Instituto Português da Afasia considera urgente o reforço de respostas estruturadas no pós-AVC

Publicado por Fernando Pires em Qui, 04/02/2026 - 10:27

Na passada terça-feira, 31 de março, assinalou-se o Dia Nacional do AVC (Acidente Vascular Cerebral), a principal causa de morte em Portugal.

Em Portugal, por hora, três pessoas sofrem um AVC, das quais sobrevivem dois terços. Perto de metade desses sobreviventes poderá ficar com afasia para toda a vida. Mas, afinal o que é a afasia? “ É uma sequela crónica, adquirida por uma lesão nas áreas do cérebro que processam a linguagem e a pessoa fica com dificuldades a dizer aquilo que quer, aquilo que pensa, a dizer as palavras, a dizer as frases, a articular. Fica com dificuldade a compreender o que os outros dizem, a ler e a escrever”, explica a Diretora Executiva da IPAFASIA.

Através de extrapolações estatísticas, este instituto calcula que a prevalência de pessoas com afasia em Portugal ronde os 40.000 casos, o que equivale a que surjam todos os anos cerca de 8.000 novos casos de afasia no país.

Um estudo desenvolvido pelo IPAFASIA, em parceria com o Hospital Pedro Hispano, evidencia que a fase aguda do AVC é globalmente bem avaliada, mas identifica o momento da alta hospitalar como um ponto crítico no percurso de recuperação. Paula Valente considera que a recuperação “não pode ser entendida apenas como estabilização clínica”, pelo que o IPAFASIA, vem alertar para a a necessidade urgente de reforçar respostas estruturadas no pós-AVC. “Quando eles têm alta e vão para casa, no fundo é aí que começa o grande problema no acompanhamento destas pessoas. Há muita disparidade geográfica em termos de acessos, serviços especializados de reabilitação, e depois também há poucas respostas na comunidade para ajudar estas pessoas, no fundo, a voltarem a reintegrar-se”, diz. “É mais ou menos a mesma coisa que, de repente, estarmos no nosso país, mas sentirmo-nos estrangeiros. É um pouco isto que as pessoas sentem, e aí as respostas ainda são mais indiferenciadas e escassas”, exemplifica Paula Valente.

O estudo conclui ainda que a sociedade confunde afasia com incapacidade, “porque as pessoas, se tiverem afasias mais graves, que a comunicação verbal está mesmo muito afetada, elas têm que reaprender a comunicar, e têm que utilizar outros métodos, e muitas vezes têm que lutar contra a corrente, eles têm que mostrar aos outros, à comunidade, se isso é válido, e como isso é tão difícil, e a comunidade não está de todo preparada, eles desistem muitas vezes”, conta.

É neste contexto que Paula Valente entende que a teleterapia surge como complemento estratégico. Uma intervenção especializada à distância pode permitir garantir a continuidade de cuidados, sobretudo em zonas com menor oferta presencial ou em situações de mobilidade reduzida.

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