A opinião de ...

Tempos de fé

Nesta altura de período pascal, multiplicam-se as manifestações de fé um pouco por toda a região.
Manifestações como a que aconteceu domingo, em Edrosa, no concelho de Vinhais, que demonstram, sem sombra de dúvida, que a fé está bem viva no Nordeste Transmontano e é parte fundamental da vida das comunidades, com repercussões a vários níveis.
D. Nuno Almeida, bispo desta diocese de Bragança-Miranda, dizia no domingo que "precisamos muito de zelar para que o património religioso e cultural não se perca". "Há um entrelaçar de dimensões culturais com a fé. Quando isto acontece, tem muita força e muito impacto, porque toca no coração", sublinhava o prelado.
O próprio presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, enaltecia o contributo que este tipo de manifestações aportam para a região em termos de salvaguarda do património e atração de visitantes, que cada vez mais buscam a genuinidade, bem presente nas comunidades transmontanas.
Aqui ao lado, sobretudo na região de Castela, o período pascal tem um forte pendor cultural e exerce um papel determinante na atração de turistas, encantados pelas tradições seculares e pela forma como os fiéis da região as vivem.
Desta lado da fronteira, sobretudo após o Concílio Vaticano II, algumas vertentes de Piedade Popular foram ficando esquecidas.
Mas, salvaguardando o âmago deste tempo Litúrgico, é importante manter as que foram perdurando e recuperar algumas das que foram ficando esquecidas, até como processo fundamental para a defesa do património identitário dos transmontanos.
Tradições como a da Procissão do Senhor dos Passos, em Edrosa, das Vias Sacras, um pouco por todo o distrito, os Cânticos de Encomendação das Almas, também enraizado, sobretudo nas comunidades rurais, são parte integrante da identidade do Nordeste Transmontano.
Se devidamente apoiadas por todas as entidades, podem exercer um papel fundamental em termos de turismo religioso para a atração de mais visitantes.
Sobretudo porque, ligadas à Páscoa, são muitas as tradições gastronómicas relevantes na região, a começar pelos folares, que anualmente atraem milhares de turistas.
Mas também o cabrito, as roscas e rosquilhas e muitas outras iguarias associadas à Páscoa, são de preservar e enaltecer.
Isto sem esquecer o abundante património religioso que, se devidamente protegido, seria um marco de atratividade para todo este território.

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