Portugal: salvar, reciclar ou compostar, eis a questão!
Passados mais de 18.300 dias do 25 de abril, depois de ver tudo o que vi, ler tudo o que li e passar por tudo o que passei, já seria muito difícil, se não mesmo impossível, deparar-me com alguma coisa capaz de me surpreender.
Contudo, confrontado com a realidade nua e crua do dia a dia, depois de ter lido as parangonas duma mensagem que dizia” vamos salvar Portugal”, escrita com letras garrafais e decorada com a fotografia do seu mais que provável autor, num enorme painel publicitário, instalado recentemente por uma conhecida força política numa rotunda por onde transito com alguma frequência, para mal dos meus pecados, tenho de reconhecer que me enganei e dar a mão à palmatória.
Se não fosse demasiadamente perigoso brincar com coisas sérias, até seria caso para bater palminhas e dar os parabéns aos papás da ideia.
Mesmo assim, vinda de quem veio, não vejo como passar ao lado ou ficar calado perante uma desfaçatez deste tamanho.
Já agora, numa época de verão como esta de 2026, em que o sol, como é mais do que sabido, e com muita mais frequência e força do que seria desejável, faz destrambelhar o bom senso e toldar o raciocínio e a lucidez das pessoas, perante a inoportunidade, o ridículo, e o manifestamente mau gosto que caracterizam todo o tipo de publicidade como esta, apetece-me perguntar às mentes iluminadas que a criaram se, em vez de perderem o seu tempo estirados na areia de papo para o ar, ou e mandar para o ar atoardas como esta, mais despropositadas do que a gaita de foles num enterro, porque não optar por se dedicarem â promoção de algumas das várias atividades socialmente mais meritórias, como por exemplo levar o cão a passear na rua, dar uma volta ao bilhar grande, ou tantas outras.
Mas não, porque é assim que nas eleições se caçam os votos, de que eles precisam, tanto como do pão para a boca, para ganhar as eleições, caminho aberto e portas escancaradas para conseguirem entrar na orbita do poder e disfrutarem para sempre, na companhia dos filhos, netos e bisnetos, das benesses e mordomias com que o Orçamento Geral do Estado, generosa e pontualmente lhes satisfaz o orgulho e engorda as contas bancárias.
Ao contrário do que costuma acontecer nesta espécie de país de brincar à “Cabra Cega” vamos ter fé e esperança de que, pelo menos vez na sua história multisecular, os portugueses vão estar atentos para exigir à Sociedade Portuguesa de Autores que, a todos os autores da nobre ideia de abdicarem dos seus interesses individuais e/ou de grupo para se dedicarem à nobre causa de tudo fazer para salvar Portugal, seja atribuída a medalha de 1ª classe de autores da melhor anedota de 2026.
Se o que se pretende é salvar, reciclar ou antes compostar Portugal, isso serão contas de outro rosário que a seu tempo se verá.
