A opinião de ...

Mentiras para todos os gostos e para todos os fins. É só escolher, minha gente!

No campo da mentira, como costuma dizer-se, há de tudo como na farmácia.
Desde a mais remota antiguidade até aos nossos dias, há mentiras antigas, modernas, grandes, pequenas, políticas, religiosas, maléficas, piedosas, santas, celestiais e infernais, mentiras populares, brejeiras, inocentes, anedóticas, ideológicas, científicas, filosóficas, até toda uma parafernália de baboseiras e idiotices, que são uma falta de respeito e um atentado criminoso ao bom nome a que todas as pessoas têm pleno direito.
Nesta ordem de ideias, ainda que dirigida à chusma incontável de pegas e papagaios que, em doses redobradas se pavoneiam a toda a hora em tudo o que é comunicação social, e muito especialmente à praga de políticos e oportunistas, mas não só, autênticos profissionais da mentira e da demagogia, bem como a toda a camarilha de parasitas e de craques da aldrabice e da charlatanice que, direta ou indiretamente, se instalaram, ou foram instalados, vivem e prosperam nos corredores alcatifados do poder, à sombra do orçamento.
Dentro das compreensíveis limitações de espaço, para quem souber ler e entender, termino com um naipe de opiniões sobre a mentira, respigadas tanto das opiniões dos grandes vultos da cultura e do pensamento, como da sabedoria popular.
Quem nunca ouviu, entre tantos outros, provérbios com “A mentira tem a perna curta”, “Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo”, e “Quem mente sua boca suja”, ou não leu a quadra de António Aleixo, “Coitado do mentiroso, Mente uma vez mente sempre, Mesmo que diga a verdade, Todos lhe dizem que mente”?
De igual modo, ainda que a outro nível, cito Dostoievski “A mentira é o único privilégio dos homens sobre os animais”, Nelson Rodrigues “Os homens mentiam menos se as mulheres fizessem menos perguntas”, Mia Couto “Os homens esquecem para ter passado e mentem para ter futuro”, R. Stevenson “As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio”, A. de France “As mulheres e os médicos sabem bem como a mentira é necessária aos homens” e José Saramago “Quando um político mente destrói a base da democracia”.
Em 1623, o filósofo inglês F. Bacon na sua obra “De Dignitate et Augmentis Scientiarum” defende que a calúnia sistemática acaba por deixar sempre marcas na reputação de alguém.
Por sua vez Voltaire, o pensador iluminista francês, divulgou em cartas e ensaios e tornou popular na Europa a expressão ”Mintam, mintam que da mentira fica sempre alguma coisa,” conceito que, também na França, em 1775, o dramaturgo Pierre de Beaumarchais imortalizou na peça de teatro “O Barbeiro de Sevilha”, no “Monólogo da calúnia”.
Bem mais tarde, já no século XX, este conceito viria ser associado à propaganda política, (Onde é que haveria de ser ?!), se bem que a sua origem filosófica e literária pertença a Joseph Çoebbels.
É caso para perguntar, mais explicações, para quê e para quem?

Edição
4107

Oferta para Assinantes

Cartão Moeve