Rui Rio acredita que o radicalismo e os extremismos se podem combater com a reforma do regime
Rui Rio, ex-presidente do PSD e antigo autarca do Porto, defendeu uma reforma profunda do regime, o que ajudaria a combater o radicalismo e os extremismos, durante a XIX Conferência de Santo Condestável, na passada quarta-feira, 16, em Bragança. “A nossa sociedade mudou de uma forma brutal. Desde o 25 de abril até hoje a sociedade portuguesa não tem nada a ver uma coisa com a outra. É completamente diferente. Ora, o regime não se adaptou, nem se modernizou”, explicou Rui Rio ao Mensageiro à entrada para a conferência que teve como mote «Reformar o regime». “Se não se modernizou, nem se adaptou não está capaz de responder. Se não está capaz de responder, como deve responder, gera descontentamento e é esse descontentamento que acaba por gerar o radicalismo”, acrescentou o antigo líder social-democrata.
Os problemas estruturais profundos do país, “que se arrastam há anos e anos, que só tendem a agravar-se”, preocupam o ex-deputado do PSD lembrado que quando foi líder do partido se disponibilizou para trabalhar estas as questões, nomeadamente a regionalização, “mas para dançar o tango são precisos dois, e nesse dossier seriam precisos três ou quatro e não havia”.
À pergunta se este governo não tem capacidade para fazer as reformas, Rio respondeu: “Sim, mas não tem este, não teve o anterior e se calhar não tem o próximo, também. Porque isto é um problema de coragem e de mentalidades. Não é um problema de estar lá o partido A ou o partido B ou o Partido C. Têm vindo a alternar. Quando eu estive na política a força que eu fiz foi para que Portugal fizesse as reformas, mesmo na oposição estava disponível, porque é absolutamente vital para o futuro do país que se façam as reformas para adaptar o regime aquilo que são as novas circunstâncias”, reforçou.
Há reformas que classifica de fundamentais: “A reforma do sistema político, absolutamente vital é uma reforma da justiça e é fundamental uma reforma do Estado, seja na vertente da forma como gerimos os cargos nos organismos públicos, que cada vez funcionam pior, seja na forma como governamos o Estado. Este está muito centralizado, quando precisamos de o descentralizar, desconcentrar e, quiçá, até de regionalizar, mas pelo menos descentralizar e desconcentrar”.
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