Projeto “Daqui” que partilha conversas com as gentes transmontanas em exposição
Foi inaugurada na passada sexta-feira, 15 de maio, a Exposição “DAQUI” de Paula Preto, patente na Ecoteca de Mirandela.
É o resultado do projeto DAQUI, de Artes Visuais, Fotografia e Vídeo, implementado através do Programa de Apoio em Parceria - Arte e Coesão Territorial da Direção-Geral das Artes.
Durante 18 meses, a fotógrafa Paula Preto, a ilustradora Sónia Borges e Marta Miranda, responsável pela programa do espaço “Galeria do Mercado”, estiveram nas primeiras quintas do mês, no Mercado Municipal de Mirandela, com ações de mediação dirigidas a diferentes públicos, veiculadas por conversas, oficinas e atividades que provocam e escutam histórias ligadas à imigração, hospitalidade e à forma como nos relacionamos com o lugar que habitamos.
Os encontros não passaram apenas pelo mercado, alargando-se às aldeias, à Escola Profissional Agrícola de Carvalhais, à Escola Profissional de Música, à Escola Básica do Convento e à Associação para a promoção da saúde mental - Matiz.
O Projeto chegou ao seu final, com o legado a ficar na posse do Município de Mirandela – os áudios, as fotografias, os vídeos e os textos- tendo sido editado um catálogo (dezembro de 2025), mas agora parte do “produto” obtido está em exposição (fotografias, videos e áudios), até ao dia 30 de agosto.
Paula Preto diz estar “de coração cheio” com o resultado do projeto. Marta Miranda admite que já sente imensas “saudades das histórias das pessoas que ouviu ao longo de um ano”. Também a ilustradora Sónia Borges confessa que foi um projeto “muito emotivo”.
Partilharam o processo em 4 exposições intermédias: Mãe água; Cabem muitos Mapas no mapa Daqui; A meio do Caminho; e Raízes.
Marta Miranda entende que o projeto também ajudou e muito a criar uma nova dinâmica no próprio mercado municipal. “É um espaço cheio de relações, está no centro da cidade, e venho há três anos a observar as pessoas que vêm à quinta-feira, à feira, e que não compram nada, só vêm conversar, estarem umas com as outras. Vi pessoas das aldeias a dar dinheiro aos miúdos das escolas quando vinham, porque não tinham rebuçados para lhe dar. Ou seja, foram muitas emoções, foi a partilha de muitas histórias, foi um projeto muito emotivo”, confessa.
