Melhor queijo de cabra da Europa é o transmontano
O queijo de cabra transmontano DOP (Denominação de Origem Protegida), produzido em Mirandela pela Leicras (Cooperativa de Produtores de Leite de Cabra Serrana), ficou em 1º lugar no ranking dos 100 melhores queijos de cabra da Europa, segundo o TasteAtlas, um influente guia online ligado à gastronomia à volta do mundo, com uma classificação de 4,4 pontos, numa escala de 0 a 5.
A especialidade supera, entre outros, o grego Sfela, também com 4,4 pontos, e o francês Crottin de Chavignol, que surge na terceira posição com 4,3.
A plataforma (TasteAtlas) descreve-o como um queijo “firme”, com um aroma “intenso e agradável” e uma “ligeira nota picante”.
Um reconhecimento recebido com muita satisfação pelo presidente da Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana (ANCRAS) e membro da Leicras. “É muito bom para nós produtores, ainda mais, porque está a valorizar o nosso trabalho e a nossa qualidade. Já recebemos várias medalhas de ouro e, naturalmente, para mim, como produtor, é motivo de muita felicidade”, diz João Cláudio.
O queijo de cabra transmontano é produzido exclusivamente com leite cru de cabra da raça Serrana. “É um queijo feito à moda tradicional”, sublinha, feito com leite cru, “que poucas queijarias fazem”, acrescenta. O leite “é de excelente qualidade, que só mesmo a raça Serrana Transmontana pode oferecer”, diz o presidente da ANCRAS.
Depois da ordenha, o leite é filtrado e aquecido. A coalhada é posteriormente salgada e o queijo é curado em condições de baixa temperatura e elevada humidade. O resultado é um queijo de formato redondo e de crosta semidura.
Este reconhecimento internacional surge numa altura em que a criação desta raça autóctone enfrenta enormes dificuldades, nomeadamente ao nível da disponibilidade de leite. “Cada vez há menos cabras e menos produtores e os que há estão cada vez mais velhos”, refere. “De ano para ano estamos a perder 3 a 4 mil animais da raça”, lamenta João Cláudio.
Os mais jovens não apostam nesta atividade pecuária, nem na cabra serrana e, quando o fazem, “optam por outras raças mais produtivas e menos exigentes em termos de maneio”, diz o presidente da ANCRAS. E depois, “temos que ver que isto é um trabalho que é 365 dias por ano. Aqui não há folgas, não há domingos, não há feriados”, sublinha. “Devíamos ter subsídios melhores e olhar mais para as raças autóctones”, defende.
A área geográfica de produção do Queijo de Cabra Transmontano DOP abrange os concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta e Mogadouro, no distrito de Bragança e ainda Valpaços e Murça do distrito de Vila Real.
