Marcolino Fernandes, o último cesteiro na região, tem exposição no Museu da Terra de Miranda
Marcolino Fernandes é, aos 83 anos, o fiel guardião da arte dos últimos cesteiros da Terra de Miranda, um trabalho manual que aprendeu há mais de 50 anos, que está espalhado por vários pontos do país e do estrangeiro.
O cesteiro mirandês contou sempre em língua mirandesa, que desde Bragança ao Pocinho, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, não há quem faça as cestas como ele, devido à técnica e aos materiais, em que utiliza vimes desfolhados, nó de vimeiro ou salgueiro, escova materiais que são colhidos nas margens do transfronteiriço rio Angueira, afluente do rio Sabor.
“Toda a matéria-prima cresce nas margens do rio Angueira, que atravessa os concelhos de Miranda do Douro e Vimioso, e depois é tratada e trabalhada ao meu jeito”, explicou o artesão.
O cesteiro, natural de São Martinho de Angueira, contou que tem uma técnica única que aprendeu há mais de 50 anos na aldeia de Caçarelhos, no concelho de Vimioso, e meteu-se a fazer as cestas mirandesas que levam mais de sete horas de trabalho. “Só para descascar os vimes são precisas mais de duas horas”, vincou.
“Fui fazendo, mas estraguei muita quantidade de vimes para aprender e construir as minhas cestas. Até já lhes perdi conta. Aprendi e nunca mais deixei de fazer cestas e cestos e outros objetos, como chapéus e ruge-ruges (peças musicais para entretenimento, como)”, explicou.
