Isabel Ferreira quer recuperar presença permanente do Exército
A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, defendeu o regresso do Exército à cidade, de onde saiu na década de 1970, após vários séculos de presença efetiva, considerando que o reforço europeu do investimento na Defesa poderá criar uma oportunidade para concretizar essa reivindicação a partir de 2030.
A posição foi assumida na sexta-feira, à margem da cerimónia de juramento de bandeira realizada na Praça do Município, onde 42 novos militares prestaram juramento. A iniciativa do Regimento de Infantaria n.º 19, sediado em Chaves, marcou o regresso desta cerimónia a Bragança dez anos depois da última edição, realizada em 2016.
“Hoje é um dia em que o Exército marca presença em Bragança, infelizmente não de forma permanente”, afirmou Isabel Ferreira.
No entanto, o regresso permanente do Exército não deverá concretizar-se a curto prazo como reconheceu a presidente da Câmara de Bragança, que já tinha abordado o assunto quando exerceu funções de secretária de Estado da Valorização do Interior.
“Não é algo que esteja para breve”, admitiu, garantindo, contudo, “apoio inequívoco” do município a qualquer iniciativa destinada a instalar na cidade unidades militares, serviços públicos ou outras instituições.
Isabel Ferreira considera que o período entre 2030 e 2040 “poderá ser o momento adequado” para colocar novamente esta possibilidade na agenda política, tendo em conta o aumento previsto do financiamento europeu destinado à Defesa.
“Uma vez que o próximo quadro comunitário tende a ter um grande reforço do Exército, eventualmente até em detrimento dos Fundos de Coesão, também será o momento certo para reivindicarmos a presença do Exército e o seu regresso a Bragança”, afirmou.
A presidente da Câmara esclareceu que a reinstalação de uma unidade militar não fez parte do programa autárquico nem constitui uma prioridade imediata do executivo, mas entende que o município “deve começar a olhar estrategicamente para essa possibilidade”.
A localização fronteiriça, a extensa área protegida do distrito e a importância das Forças Armadas nas operações de emergência são, segundo Isabel Ferreira, argumentos favoráveis ao regresso.
“Somos uma região com uma área protegida enorme, quer na Reserva da Biosfera, quer no Parque Natural de Montesinho, e por isso temos mais uma razão para reivindicar estas presenças”, sustentou.
Já o comandante do Regimento de Infantaria n.º 19, coronel de Infantaria Roberto Faria, destacou a ligação histórica entre Bragança e o Exército, lembrando a importância da cidade na defesa da fronteira portuguesa.
“Bragança constituiu-se sempre, ao longo da nossa história, como uma das praças-fortes mais importantes na defesa da fronteira nacional”, afirmou.
“O Exército aqui esteve durante muitos séculos e isso criou laços que não desaparecem e que se vão perpetuando pelas gerações”, salientou Roberto Faria.
Dos 44 militares que integram o sétimo curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército, 42 prestaram juramento de bandeira em Bragança. Os outros dois deverão fazê-lo posteriormente, devido a motivos médicos.
Os novos soldados vão agora cumprir sete semanas de instrução complementar, antes de serem colocados nas diferentes unidades do Exército.
Roberto Faria explicou que o Regimento de Infantaria n.º 19 ministra sete cursos de formação por ano, integrando sobretudo jovens do Norte do país, incluindo vários provenientes de Trás-os-Montes.
“Para nós, é um momento de grande alegria, porque vimos para junto das populações que servimos realizar uma das cerimónias mais importantes do Exército”, declarou o comandante.
O responsável sublinhou que a deslocação a Bragança permite aproximar a instituição das populações, divulgar a região junto dos recrutas e familiares.
