Diocese de Bragança-Miranda celebra 25 anos da Catedral
A nossa Catedral, qual “regaço materno”, convida os seus filhos a entrar, enviando-os, no final do encontro, refeitos pelo alimento da caridade, do perdão, da Palavra e do Pão, para o mundo, onde devem ser fermento de uma humanidade nova.
Desde há 25 anos, a nossa Catedral é o lugar para a celebração participada, fecunda e consciente da fé, na Eucaristia e demais sacramentos, deixando transparecer a presença de Jesus Ressuscitado, princípio vital da Igreja. É centro, marca o ritmo e aponta a direção da vida pessoal, familiar e social.
A Diocese de Bragança-Miranda vai celebrar, nos dias 6 e 7 de outubro, o 25.º aniversário da dedicação da Catedral, confiada a Nossa Senhora Rainha. As comemorações terão como momento central o dia 7 de outubro e contarão com a presença de D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico, representante do Papa Leão XIV junto da Igreja e do Estado português.
O programa tem início no dia 6 de outubro, com a Assembleia do Clero, pelas 15h30. Às 21h00, terá lugar uma Assembleia destinada aos consagrados, aos responsáveis e membros dos departamentos, secretariados, comissões e serviços diocesanos, das Paróquias, Unidades Pastorais e Movimentos e aberta a todas as pessoas que queiram participar. Estes dois momentos, que decorrerão na Catedral, serão presididos pelo Núncio Apostólico, proporcionando espaços de encontro, diálogo e comunhão com os diferentes membros e estruturas da Diocese.
O dia 7 de outubro, data central da celebração, será marcado pela visita de D. Andrés Carrascosa Coso a duas comunidades religiosas da Diocese. Durante a manhã, visitará o Carmelo da Sagrada Família, no Larinho, concelho de Torre de Moncorvo e o Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, num momento de proximidade e encontro com as comunidades de vida contemplativa.
Às 18h00, na Catedral, o Núncio Apostólico presidirá à Eucaristia comemorativa do 25.º aniversário, numa celebração que reunirá a comunidade diocesana e contará com a participação do episcopado nacional, de representantes das diversas entidades civis, militares e de segurança, comunidades, paróquias e instituições da Diocese. A animação litúrgica estará a cargo do Coro Nossa Senhora Rainha regido por Patrícia Líbano.
Após a celebração eucarística haverá um momento de convívio aberto a todos. Às 21h00, o programa comemorativo prossegue com um concerto da Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, na Catedral, constituindo um momento cultural também aberto e gratuito para a comunidade.
Através do som dos sinos, Deus vai chamar-nos, no dia 7 de outubro, retirando cada um da sua solidão ou dispersão, para constituir um povo que vive da fé e cuja unidade é o próprio Cristo, pois a atitude dos cristãos deverá ter como modelo a dos discípulos: “deixando logo as redes, seguiram-no” (Mc 1,18). Para muitos hoje será deixar por algumas horas as “redes sociais”! Como bispo da Diocese, convido todos a participar. Oportunamente através dos párocos e demais responsáveis serão divulgados mais pormenores que ajudem à participação de todos. Vai valer a pena!
Inaugurada a 7 de outubro de 2001, a Catedral diocesana é historicamente reconhecida como a única catedral portuguesa construída no século XX e a primeira do XXI. O sonho da sua edificação remontava a 1768, mas a primeira pedra apenas seria lançada em 1982. Projetada pelo arquiteto Luís Vassalo Rosa, destaca-se pela sua arquitetura contemporânea e pelo desenho pentagonal da nave, disposta em anfiteatro, num espaço que integra traços culturais e materiais característicos da região transmontana.
As comemorações dos 25 anos constituem, assim, uma oportunidade para celebrar a história, agradecer o caminho percorrido e renovar o compromisso da Diocese com a missão evangelizadora: é hora de pensarmos a pastoral da cidade e da diocese a partir da Catedral.
Estas comemorações contam com o apoio institucional do Município de Bragança, da Polícia de Segurança Pública, da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo e da Cáritas Diocesana de Bragança-Miranda, a quem muito agradecemos.
Uma igreja, particularmente uma Catedral, é sempre “casa e escola de comunhão e missão” para todos, onde se fortalece o relacionamento com os irmãos e de todos com Deus, para que sejamos pedras-vivas.
Nunca podemos esquecer que construímos igrejas porque Deus nos ama e quer encontrar-se connosco em Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado e envolver-nos com o manto da nossa Mãe e Rainha.
“A Casa de Deus
A casa de Deus está assente no chão
Os seus alicerces mergulham na terra
A casa de Deus está na terra onde os homens estão
Sujeita como os homens à lei da gravidade
Porém como a alma dos homens trespassada
Pelo mistério e a palavra da leveza
Os homens a constroem com materiais
Que vão buscar à terra
Pedra vidro metal cimento cal
Com suas mãos e pensamento a constroem
Mãos certeiras de pedreiro
Mãos hábeis de carpinteiro
Mão exacta do pintor
Cálculo do engenheiro
Desenho e cálculo do arquitecto
Com matéria e luz e espaço a constroem
Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem
Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito
Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito
A casa é construída no tempo
Mas aqui os homens se reúnem em nome do Eterno
Em nome da promessa antiquíssima feita por Deus a Abraão
A Moisés a David e a todos os profetas
Em nome da vida que dada por nós nos é dada
É uma casa que se situa na imanência
Atenta à beleza e à diversidade da imanência
Erguida no mundo que nos foi dado
Para nossa habitação nossa invenção nosso conhecimento
Os homens constroem na terra
Situada no tempo
Para habitação da eternidade
Aqui procuramos pensar reconhecer
Sem máscara ilusão ou disfarce
E procuramos manter nosso espírito atento
Liso como a página em branco
Aqui para além da morte da lacuna da perca e do desastre
Celebramos a Páscoa
Aqui celebramos a claridade
Porque Deus nos criou para a alegria.”
(Páscoa de 1990, Sophia de Mello Breyner Andresen – Obra Poética. Lisboa: Ed. Caminho, 2011, 872-873).
