Nordeste Transmontano

Bragança quer assumir papel mais interventivo na adaptação às alterações climáticas

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 07/23/2026 - 10:28

Bragança recebeu, pela primeira vez, uma Assembleia da adapt.local – Rede de Municípios para a Adaptação Local às Alterações Climáticas, numa reunião em que foram discutidas as linhas de atuação para 2026 e 2027 e as necessidades dos municípios face aos desafios ambientais e às alterações climáticas.

O Município de Bragança integra a associação há vários anos, mas a presidente da Câmara, Isabel Ferreira, pretende que a autarquia passe a assumir uma participação “mais interventiva e mais preponderante” na rede.

Segundo a autarca, desde que o atual executivo tomou posse foi feita uma avaliação da participação do município nas diferentes associações a que pertence, para perceber se essa presença continua a justificar-se.

“Neste caso, desta avaliação, faz todo o sentido”, afirmou Isabel Ferreira, sublinhando que o tema central da adapt.local, as alterações climáticas, está “em alinhamento completo” com a estratégia Agora 2030 do município.

A presidente da Câmara considera que a adaptação às alterações climáticas deixou de poder ser encarada como uma questão circunscrita à área ambiental, assumindo atualmente um caráter transversal.

“Hoje, a adaptação às alterações climáticas é transversal a todos os setores, aos serviços públicos e ao setor privado, ao mundo empresarial”, salientou, defendendo que esta preocupação deve também atravessar transversalmente as políticas municipais.

O presidente da direção da adapt.local, Alberto Martins, explicou ao Mensageiro que a reunião em Bragança serviu também para apresentar aos associados o trabalho previsto para os próximos meses e, simultaneamente, ouvir as prioridades e dificuldades sentidas pelas diferentes autarquias.
“A ideia é colocarmos a associação à disposição dos municípios”, afirmou, apontando não apenas as questões ambientais, mas também o apoio relacionado com oportunidades de financiamento.

O responsável explicou que a nova direção iniciou recentemente o mandato e pretende aproximar a estrutura das autarquias, disponibilizando informação que possa apoiar os processos de decisão.

“Queremos, sobretudo, trazer dados importantes para a tomada de decisão e para ajudar os municípios”, acrescentou Alberto Martins, lembrando que a rede reúne autarquias de norte a sul do país.

Atualmente, a adapt.local conta com cerca de 60 membros efetivos, aos quais se juntam aproximadamente 25 municípios auxiliares, alguns dos quais poderão futuramente passar a membros efetivos. “Já são muitos e de grande qualidade, espalhados pelo país inteiro”, destacou o presidente da direção.

Entre os principais pontos analisados na Assembleia realizada em Bragança esteve a apresentação do plano de atividades para 2026 e 2027.
Foram igualmente discutidas duas propostas que passam pela apresentação da associação junto do Governo e da Agência Portuguesa do Ambiente, com o objetivo de reforçar a capacidade de intervenção e representação da rede.

Outro dos assuntos abordados foi a preparação do próximo seminário da adapt.local, previsto para a segunda metade do ano, nas Caldas da Rainha.
Segundo Alberto Martins, a iniciativa terá uma forte componente de capacitação destinada aos técnicos das câmaras municipais e aos decisores políticos, contando com a presença de especialistas nacionais e internacionais. “Será um seminário muito rico, com oradores de renome nacional e internacional”, adiantou.

A realização da Assembleia marcou também a estreia da associação em Bragança.

“É um gosto enorme estar aqui, numa cidade muito bonita e muito acolhedora”, afirmou Alberto Martins.

O vereador brigantino Ricardo Pinto é o presidente da Mesa da Assembleia Geral.

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