A opinião de ...

Incêndios em Trás-os-Montes A fúria do inferno à solta na última semana de julho

Para não o considerar isto irracional, estamos perante um fenómeno difícil de compreender e explicar porque é que os incêndios do verão, na sua grande maioria começam sempre nas zonas centro e/ou sul do território nacional, e depois aparecem no norte, com fúria redobrada, reduzindo a cinzas tudo o que lhes aparece pela frente.
Para não assumir a sua própria responsabilidade no fenómeno dos incêndios, nada mais fácil do que mandar as culpas para os outros, alegando tratar-se dum fenómeno à escala mundial, que mesmo nos países com mais recursos que o nosso, os incêndios são uma fatalidade incontornável, extremamente difícil de evitar.
Enquanto isso, a mesma praga de incêndios, continua a repetir-se todos os verões, deixando atrás de si, para além dum rastro astronómico de prejuízos de toda a ordem impossíveis de calcular, situações a que a grande maioria da comunicação social raramente dispensa a devida atenção.
Como que reencarnando a figura sinistra do imperador romano Nero, que mandava incendiar Roma para depois culpar quem nada tinha a ver com isso, tudo lhe serve para explorar em proveito próprio o espetáculo do fogo a consumir os bens públicos e privados, com a mesma facilidade e falta de nível com que divulga o último boato sobre as saídas à noite da filha da vizinha, posto a circular, sabe-se lá bem por quem, que se espalha por todo o bairro, com a mesma facilidade com que se bebe um copo de água.
Esquecendo que palavra fora da boca é pedra fora da mão e que da mentira fica sempre alguma coisa, por mais desmentidos lançados à posterior, o mal está feito, arrastando consigo para a lama o direito ao bom nome a que, até prova em contrário todas as pessoas têm direito.
No caso concreto da vaga de incêndios que na semana passada destruíram a vida e os haveres dos milhares das vítimas dessa tragédia, nos concelhos de Mirandela, Vinhais e Valpaços, longe de contestar a importância e a utilidade dos apoios prometidos naqueles concelhos pelo ministro da agricultura, mas cuja chegada ao terreno, pela sua dimensão, enorme complexidade e grande carga burocrática que condicionam processos desta natureza, nunca é tão rápida quanto as vítimas precisavam que fosse, mas as coisas nunca poderão ficar por aí.
Perante uma tragédia como esta, criar as condições mínimas de qualidade de vida a que têm direito todas as pessoas, incluído crianças e idosos, que perderam as casas, as alfaias e as colheitas que iriam garantir a sobrevivência das suas famílias e dos seus animais, só será possível se todos os responsáveis do país, pelo menos uma vez na vida, conseguirem deixar-se de charlatanices e de conversas da treta, que não levam a lado nenhum e remarem todos para o mesmo lado para fazer, mas já, tudo o que tiver de ser feito.
Se as atuais leis não o permitem, porque para grandes males grandes remédios, suspendam-nas ou substituam-nas por outras.

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