A opinião de ...

Democracia sempre? Obviamente que sim, mas... (3)

Os textos sobre a democracia, publicados nas semanas passadas nas páginas deste jornal, segundo o conceito de democracia expresso por Hans Hermann Hoppe no seu livro “O DEUS QUE FALHOU”, despoletaram uma série de comentários muito curiosos, que alguns leitores tiveram a gentileza de me enviar, de acordo com os quais é fácil constatar que, da mesma forma que há quem deles discorde ou sobre eles manifeste sérias reservas, também há quem com ele concorde plenamente e os apoie sem a mínima reserva, dos quais a seguir transcrevo alguns excertos.
1 - “Não obstante a história dos últimos cinquenta anos da vida política nacional ter passado por muitas e desnecessárias situações críticas, que puseram em risco a vida democrática do país, mesmo assim, está fora de questão, toda e qualquer tentativa de a por em causa e abrir o caminho para o regresso ao anterior passado de má memória para o país”.
2 – “Passados que foram mais de cinquenta anos depois do 25 de abri de 1974, não há como ignorar que pode ser demasiadamente perigoso e imprudente pensar que, depois de conquistar a democracia, tudo o resto virá por acréscimo”.
“Talvez mais perigoso ainda, por mais que isso possa interessar e, enquanto tal, por melhor que isso possa soar aos ouvidos de muita gente, o certo é que poderá ser sobremaneira arriscada e bem mais perigosa a irresponsabilidade de pensar que, uma vez conquistada a democracia, será democracia para sempre, e que ela própria, nas sua qualidade e virtudes de melhor forma de governo, já está preparada para dar o peito às balas e resistir a todas as crises, venham elas donde vierem”
3 – “ O ter lido com agrado os trabalhos feitos com base nas teorias defendidas no livro “O DEUS QUE FALHOU”, mesmo assim, confesso que não ficaria a bem com a minha consciência se, sobre as mesmas, não a expressasse algumas das ideias que tenho sobre a democracia e os regimes democráticos, começando por lembrar uma muito antiga teoria da antiguidade clássica, segundo a qual “a corrupção do ótimo é sempre péssima”, ideia esta que devia ser um aviso muito sério para o número astronómico de milhões de oportunistas, que, em vez de servirem a democracia em função do interesse do bem comum das pessoas que os elegeram , porque, uma vez eleitos, se auto desresponsabilizam de tudo o que disseram e prometeram durante as campanhas, aproveitam as fragilidades da própria democracia para se acoitarem à sombra dela e, por arrastamento, todos os esquemas, subterfúgios e oportunidades que, sem terem de dar explicações a ninguém, vão tendo ao seu alcance, para se apoderarem e perpetuarem nos lugares de maior destaque, potenciadores das grandes chances para subirem na vida e irem levando a água aos seus moinhos.”
Termino citando duas frases, uma de o Oscar Wilde, segundo o qual “o patriotismo não pode ser o último refúgio de todos os patifes”, e outra, de um autor desconhecido, avisando que a democracia “ não pode ser a madrinha de todos os oportunismos e parasitismos”.

Edição
4084

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